segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ruiva Suicida

“Ela resolveu liberar seus instintos cruéis
Ao cair da noite, em quartos de motéis
Era mais que conhecida pelas ruas da cidade
Uma ruiva suicida travestida de beldade
Chicote e salto alto pisando corações infiéis
Foi eleita a padroeira invertida de insanos bordéis
Um cartaz de procurada pelas ruas da cidade
Uma ruiva suicida paria da sociedade”.

Ruiva Suicida
Christina se cansou de ser maltratada, incompreendida e vilipendiada. Olhou-se no espelho, viu o cabelo laranja e as sardas que a davam uma aparência de garota.
Rebelou-se, e o que veio a seguir foi um completo ritual.
Pegou a tinta vermelho-sangue e deixou agir no cabelo. Lavou e viu as madeixas molhadas escorrendo pelos ombros.
A partir daquele momento, Christina deixou de ser só uma menina. Pintou os cabelos de sangue, e, automaticamente, sentiu-se mais poderosa. Agora voluptuosa, sentiu-se mulher. Não era mais Christina; precisava de um novo nome. “A Ruiva Suicida” logo lhe veio à cabeça. E lhe agradou.
Maquiou a pele com base, pó e corretivo. Escondeu as sardas. Pintou os olhos, deixando a negritude deles mais fria do que nunca. Nos lábios, a cor dos seus cabelos.
Quando olhou pela janela, a noite tinha caído, envolvendo a cidade com um véu negro salpicado de estrelas.
Foi dar o troco aos in felizes que haviam partido o coração dela. Nua em frente ao espelho, ela olhou bem para os seios que nunca haviam sido tocados ou beijados com amor. Nua em frente ao espelho, Ruiva Suicida perfumou-se. Vestiu sua gargantilha preta, e depois seu espartilho-lingerie. Calça de couro passou a revestir a sua pele, e por cima dos ombros cor de leite, caiu-lhe um bolero felpudo.
Olhou com a alma para o fundo da sua sapateira e escolheu, com minúcia, o sapato que usaria. Um salto-alto vermelho. Vermelho, cor da fruta proibida que Eva comera. Vermelho, cor do sangue que ela faria jorrar naquela noite. E, agora, vermelho, cor dos seus cabelos.
Contemplou suas unhas. Estavam pintadas de branco. Foi até o banheiro, pegou um chumaço de algodão e um vidro de acetona que estavam sobre a pia. Limpou as unhas compridas e tentou se lembrar aonde havia colocado o frasco de “Gabriela” que ganhara anos antes. Estava na gaveta.
Pintou as unhas com perfeição, tirou de debaixo da cama seu chicote dos tempos de circo. Saiu caminhando pelas ruas da cidade; uma ruiva suicida travestida de beldade.
Esperou embaixo do poste no qual se enroscava. Viu a cena do marido deixando sua esposa em casa e dando meia volta para procurar cortesãs do século XXI. Não demorou muito para que o primeiro carro estacionasse a levasse para um quarto de motel.
Tornou-se mais que conhecida pelas ruas da cidade. A Ruiva Suicida se divertia chicoteando e arranhando os homens em quartos alugados. Agredia um pelo dano que outro, há muito esquecido, já lhe havia feito. Divertia-se, no entanto, ainda mais no final das suas brincadeiras, porque era quando arrancava corações infiéis e os roubava.
A Ruiva Suicida estava satisfeita por estar imersa em luxúria e gula, até que passaram a reclamar seus corações de volta. Não viu alternativa senão fugir, deixando prevalecer seu cartaz de “Procurada” espalhados pelos muros da cidade.

Conto baseado na música “Ruiva Suicida”, da banda “Os Lendários Dromedários”.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Tobogã

Helter Skelter andava de maneira suicida pelas ruas, sem respeitar o sinal que marcava verde para os carros. Helter fumava um cigarro e achava graça quando via a fumaça envolvendo suas duas tatuagens visíveis. A terceira só seria vista pelo plebeu sortudo que conseguisse despi-la.
A Senhorita Skelter tinha um poder de persuasão tão enorme que, enquanto percorria a rua, nenhum carro businou para tirá-la do caminho. Helter Skelter fazia os carros desviarem dela, e o fazia porque sabia que ninguém ousaria atropelar tão formosa moça.
Duas horas a partir de agora, e ela estaria no ônibus, encarando de volta os passageiros que a olhavam, maravilhados.
Dez horas a partir de agora, e ela chegaria n'A Cidade.
Onze horas a partir de agora, e ela jogaria seu inimigo no chão.
Doze horas a partir de agora, e se sujariam fazendo arte.
Treze horas a partir de agora, e ela lavaria as mãos dele sob a água fria na torneira enferrujada.
Quatorze horas a partir de agora, e ele olharia bem para a pimenta malagueta que ela tatuara na virilha.

Vinte e quatro horas a partir de agora, e ela entraria em um ônibus que a levaria para fora d'A Cidade.

Vinte e quatro horas a partir de agora, e o pranto dele estaria tão limpo e tão claro quanto as unhas de Helter Skelter.

{Para Rodrigo Correia}.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Rabiscando

Há o sentido? Há sentido em amar tanto alguém impossível e inalcançável? Ou será que há mais sentido em amores possíveis?
Afinal, há sentido no amor?
{Incógnita}.
Onde está o sentido em relembrar do teu semblante na hora do gozo? Há sentido em relembrar-te?
{Não}.
Há sentido em sentar na borda da cama com uma camiseta insuportavelmente quente e igualmente larga em uma noite de segunda-feira? Onde está o sentido de, nesta posição, pôr-se a escrever com uma caneta preta?
Será que não escrever faria mais sentido?
{Se a escrita é sem-sentido, concluo que a não-escrita também há de ser}.
Há o sentido em não me deitar por enquanto só por estar aguardando uma ligação tua?
Faz sentido em esquecer-me do que ia escrever a seguir? Se estou escrevendo, eu não deveria ter em mente exatamente o que rabiscarei?
Leitores que não gostam da minha auto-exposição neste blog ainda assim me lêem.
{Insensato}.
Procurar saber a opinião de outro louco sobre as loucuras que fazemos separados.
{Ridículo}.
Amar-te sem tocar-te.
{O cúmulo}.

Ousar publicar este texto?
{Patético...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Le Pays Imaginaire

Era uma vez, em uma terra distante e ainda não vista por olhos humanos, uma sereia que se chamava Parténope. Ela tinha uma personalidade doce e imaginativa, o que a fazia sentir-se triste, porque sereias não deveriam se comportar docemente. Sereias deviam ser como Lilith ou Ligeia, que eram companheiras de Parténope sob as águas.
Ligeia, apesar de irromper em lágrimas com uma facilidade gigantesca, poderia ser altamente chantagista se quisesse. Além disso, ela nunca esquecia o mal que havia sido feito a ela – mesmo que tivesse ocorrido há muito, muito tempo mesmo.
Já Lilith era a mais exemplar das três sereias. Era extremamente sensual e conseguia conquistar todos os pescadores que às margens do rio apareciam. As outras criaturas que viviam sob as águas falavam horrores sobre Lilith. Corriam boatos que diziam que sua cauda possuía veneno, e que ela se vingava de quem quer que fosse. Não sabiam que Lilith, apesar da personalidade forte, poderia ser incrivelmente intensa e apaixonada.
Certo dia, Ligeia viu Parténope aos soluços. Sensível que era, perguntou à parceira o que havia acontecido. Ouviu com atenção a voz trêmula lhe contar o quanto ela sofria por não ser igual a ela ou a Lilith. Ouviu-a dizendo que queria devorar os humanos sem piedade, assim como sereias estavam predestinadas a ser.
Ligeia, preocupada e atenta, foi conversar com Lilith. Elas concordaram em levar Parténope para caçar com elas, e assim se sucedeu.
Parténope ficou feliz com a notícia, pois agora já poderia ser como as outras sereias; mas insegura, com medo de não dar conta de transformar sua essência.
Nos primeiros dias de caça, tudo correu perfeitamente bem. As três sereias seduziram pescadores cantando com perfeição, e Parténope tinha uma sensualidade óbvia, porém que nunca conseguiria enxergar.
As outras duas sereias, considerando que a terceira já havia aprendido tudo o que deveria, disseram a ela que ela passaria a caçar sozinha. A essa altura, Parténope já havia se convencido de que o que ela passara a fazer não era um assassinato cruel, mas sim algo que fazia parte da sua natureza.
Passou a caçar sozinha, e sua rotina era tranqüila: ia à superfície, avistava algum pescador, cantava para ele enfeitiçando-o e o levava para as profundezas – e assim ia acontecendo sucessivamente durante o dia todo. Ocasionalmente, avistava Europa passando pelo rio. Europa era uma dos três gnomos que habitavam Le Pays Imaginaire, e como seus parceiros, coletava e tirava proveito da mãe-natureza. Sua vida dependia da terra, mas Europa era meiga e tranqüila. Também muito bonita, era considerada dona de uma sensualidade evidente. Parténope e Europa conversavam brevemente e cada uma ia fazer suas tarefas.
Em um dia corriqueiro, Parténope estava procurando pescadores normalmente quando avistou um dos Caçadores. Ele passou ao lado dela, e os dois se olharam com uma espécie de admiração – era o Arqueiro. Ele ia seguir o seu caminho, mas algo o impediu. Voltou-se para a sereia e disse:
- Adoro teus cabelos.
Ela abriu um sorriso involuntário.
- São os maiores e mais bonitos cachos da ilha inteira.
O Arqueiro ficou surpreso por ter conseguido articular com aquela moça tão bonita, de olhos e cabelos tão imensos. Quem não conseguia articular era ela.
O Arqueiro voltou a trilhar seu caminho, quando de repente Parténope gritou:
- Arqueiro! Volte amanhã, sim? Gostaria de conversar contigo direito.
O Caçador assentiu, surpreso.
Parténope foi dormir meio boba naquela noite.
***
No dia seguinte, a ansiedade tomou conta da sereia. Ela parecia estar apaixonada, mas não queria admiti-lo. Suas irmãs o percebiam, mas nada comentavam.
Parténope logo foi à superfície e viu a bela Europa passando por lá, junto com os outros dois gnomos da Ilha – Astréia e Lupércio.
- Olá, gnomos! – gritou alegremente, nadando até margem.
- Olá, Parténope. Pareces feliz hoje.
- E estou, querida Astréia! Estou.
- Devo perguntar-lhe o motivo?
- Hoje, conversarei com o Arqueiro.
Os gnomos se entreolharam preocupados, mas foi Lupércio quem tomou a palavra.
- Querida Parténope, tens certeza disso? Afinal, és conhecida como a habitante mais sonhadora da Ilha, e não queremos que se iluda.
- O que você está querendo insinuar? – disse a sereia na defensiva.
- Parténope, és uma Sereia, ele é um Caçador. Moram em cantos opostos da ilha. Não parece ser algo saudável de se manter.
- Estás insinuando que o amor verdadeiro não enfrenta todas as barreiras!? – disse ela, furiosa.
- Querida – interveio Astréia – descubra antes se há o amor verdadeiro. Não se precipite, deixe as coisas acontecerem perfeitamente, de forma recíproca e organizada. Vamos andando, irmãos?
Lupércio e Astréia foram caminhando, mas Europa demorou-se um pouco mais e falou para Parténope:
- Acho muito bonito seu amor infinito a ser dado, apesar de não apoiar sua ilusão completa neste romance. Mas caso você se magoe, estarei aqui para te apoiar.
Parténope se emocionou e agradeceu de coração à amiga dos olhos cor de mel.
Apesar de saber que os gnomos estavam certos, a sereia esperou ansiosamente a chegada do Arqueiro.
Ele chegou lá pelo início da tarde, e os dois conversaram por muito tempo. Parténope não caçou naquele dia, pois ficou demasiadamente distraída com o Caçador com quem – pasmem! – tinha muito em comum. O Arqueiro, que vivia embaixo da terra cercado por fogo com seus dois companheiros, fazia a sereia extravasar seu quase anulado fogo. Os dois se compreendiam bem, e começaram a se encontrar todos os dias.
Não demorou muito para que todas as tribos soubessem da notícia. As Sereias ficaram encantadas com a notícia, os Gnomos ficaram preocupados, os Caçadores pareciam incrédulos e as Fadas desdenharam da situação.
***
Um dia, Parténope ficou extremamente chateada: foi quando o Arqueiro falou que Lilith tinha uma personalidade terrível. Parténope perguntou-se se ele achava que, por ser também uma sereia, ela teria uma personalidade detestável. Mas o Arqueiro não o achava, já que continuou indo visitá-la todos os dias.
“Será que isso é o verdadeiro amor?”, perguntavam-se quando percebiam que só pensavam um no outro o dia inteiro.
Concluindo que sim, Parténope chamou as três fadas para virem visitá-la no rio: mandou a mensagem pelo vento e logo elas estavam lá.
As fadas eram conhecidas pela sua leveza e capacidade de intervir no destino dos outros seres de Le Pays Imaginaire. Eram três: Morgana, a Equilibrada; Melusina, a Inteligente; e Lorelei, a Excêntrica.
Logo chegaram, vestidas de azul, amarelo e roxo, e Parténope logo fez perguntas cordiais. Responderam polidamente e seguiu-se o diálogo:
- Diga, amiga sereia: no que podemos ser úteis?
- Bom – ela corou ao responder. – Estou trocando juras de amor com o Arqueiro.
As fadas sorriam.
- Amigas do Vento, não sei o que fazer! Já falamos sobre todos os assuntos existentes, nos exploramos com palavras, trocamos juras o dia inteiro...! Europa tenta pôr meus pés no chão, Astréia tenta me convencer a esperar, Lupércio quer que eu perceba o quão ridículo isso é: tudo em vão! Minhas irmãs me apóiam, mas não sei mais o que fazer! Quero a ajuda das Fadas; só elas saberiam me ajudar.
- O que acham os Cavaleiros?
- O Arqueiro corresponde aos meus sentimentos. O Soldado acha que o melhor a fazer é mantermos um relacionamento físico e superficial. O Cavaleiro, apesar de agir com enorme curiosidade sobre mim, acha que é um envolvimento demasiado perigoso, já que somos tão distantes.
- Por que, distantes? – Perguntou Morgana.
Ela suspirou antes de responder.
- Ele está do outro lado da Ilha, e tenho medo de me espantar com a intensidade do fogo com o qual ele convive ou de encharcá-lo com toda essa água – apontou para o rio. – Além do mais, ele morreria se vivesse no rio, e eu morreria se morasse em terra firme.
Lorelei, a Excêntrica, logo sugeriu:
- Faremos um feitiço para que vocês possam ficar juntos, porque amores bonitos como esse não devem ser desperdiçados.
- Cada um de vocês abrirá mão de sua condição atual – disse Morgana, a Equilibrada. – Vocês dois se tornarão meramente humanos, e terão outro lugar para viverem a sós.
- Ficarei encarregada de criar Le Chez Lune para que vocês vivam juntos, mas para que isso ocorra vocês dois precisam dos seus irmãos presentes. Chamaremos os prestativos Gnomos para nos ajudar a organizar a cerimônia. Avise ao seu amado que isso ocorrerá em alguns dias. Mandaremo-lo vir te encontrar com uma mensagem através do vento. Agora, adeus, companheira das ondas! Veremo-nos em breve!
Parténope estava extasiada – quando o Arqueiro soube da notícia, também ficou cheio de sentimentos bons em si.
***
Os Caçadores, as Fadas, os Gnomos e as Sereias se reuniram na linha do horizonte. As Sereias choravam, os Caçadores estavam enérgicos e surpresos com a cerimônia. As Fadas estavam sereníssimas, e os Gnomos aparentavam estar contidamente felizes.
- Arqueiro, tu concordas em deixar tua atual condição de Caçador para unir-se à Sereia Parténope?
- Concordo.
- Parténope, tu concordas em deixar tua atual condição de Sereia para unir-se ao Caçador Arqueiro?
Ela olhou para as frutas carinhosamente colhidas por Lupércio, para os arranjos florais que Astréia havia feito com perfeição. Observou as esculturas de gelo que suas irmãs haviam feito, e os Caçadores decoraram tudo com muita luz e fogo. Morgana estava tocando harpa lindamente, Melusina servia de presbítero e Lorelei e Europa observavam tudo com sorrisos imensos nos rostos. O Cavaleiro estava envaidecido com sua armadura polida, o Soldado parecia ter tido um cuidado especial com seu capacete às vésperas da cerimônia.
Parténope gravou a cena inteira em sua mente, logo antes de dar a resposta mais importante de toda a tua vida.
- Concordo.
Uma chuva de pó cintilante caiu sobre o lugar, e os dois amantes tornaram-se meramente humanos. Aplausos, gritos e lágrimas irromperam sobre o local. Tocaram-se, beijaram-se e amaram-se pela primeira vez durante o percurso até o cantinho preparado por Melusina especialmente para os dois.
E, em La Chez Lune, eles viveram felizes para sempre.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Acontece que

meu novo amor platônico é um carioca sagitariano de ascendente em gêmeos que joga cartas de tarot.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Esbarrão

E eu ainda vou te encontrar na rua. O cenário é sempre aquele shopping que você não gosta, entre a sorveteria do nosso primeiro beijo e o cinema.
Aí eu vou ficar nervosa. Você, não. Vai me ver, sorrir e ir falar comigo {sempre no controle, right?}. Vou fazer uma porção de movimentos automáticos, sem me concentrar neles – porque eu vou estar desesperada por me esbarrar com você e nervosa porque a gente vai se abraçar como forma de cumprimento e você vai sentir as loucas palpitadas dançantes do meu coração. Vou te contar como foi a estréia do curta-metragem, você vai sorrir de volta e fazer perguntas educadas. Ficarei desesperada com a possibilidade de a tua nova namorada estar te esperando em algum canto, como por exemplo na sacada. Virá a vontade de te perguntar, com leveza e bom-humor, como é namorar uma garota de cabelos lisos pela primeira vez {a verdade é que quero saber se você sente falta dos meus cachos}. Mas me conterei.
Você notará minhas unhas agora roídas e pintadas de corretivo escolar, eu darei um sorriso sem graça e explicarei que já que nunca as pintei, resolvi voltar a roê-las de vez.
Vou te contar sobre a minha nova sede dos livros do Saramago – me recomendarás outros tantos do Kafka. Resumirei como está a escola para você, reclamaremos um pouco da greve com muxoxos.
O silêncio vai surgir; você vai interrompê-lo com um “tenho que ir; ela está me esperando”. Sorrirei triste. Você me olhará com pena, vai me dar seu abraço muito do gostoso. Vou te olhar com meus imensos olhos de cinema mudo e, verbalmente, te mandarei um beijo gordo.
Depois de me desejar outros tantos, você dará meia volta e me deixará perguntando se vocês fazem amor juntos {all night long} ou se ela já ouviu a tua versão de Meninos e Meninas, saindo da tua boca.
Você me deixará novamente sozinha, para ir se esquecer das coisas da gente com novas unhas e cabelos, dessa vez arrumados pelo salão de beleza.
Desejarei com todas as minhas forças fazer o mesmo, impressionada com o fato de que te ver remando me dá uma imensa de me afogar de vez.

{Nunca imaginei}.