sábado, 26 de junho de 2010

Trechinhos

Ela acordou atrasada. Entrou no banho e amaldiçoou o despertador que não tocou. Tomou sua ducha, frustrada por não poder conversar com seu chuveirinho por uns minutos.
Passou maquiagem, enxugou o corpo e vestiu-se para a sua reunião. Estava no mundo da lua.

Ao entrar no elevador, aquele rapaz bonitinho do andar de cima abriu a porta para ela.




E o mundo começou a girar.


E mesmo que você tenha chegado à conclusão que eu sou uma filha da puta arrogante, sua foto vai continuar sendo o plano de fundo do meu celular.


Porque te amo.

Renata

O celular dele começou a tocar bem alto, quebrando o silêncio da agradável madrugada.
Ele esfregou os olhos e olhou para o visor que piscava freneticamente. Lia-se “Renata”.
Atendeu, sonolento.
- Oi – e bocejou.
- Oi, querido. Você está por aí?
- Estou.
- OK, abra a porta em cinco minutos.
- Mas... Eu estou de pijama.
Ela riu.
- Já te vi com muito menos que isso. Mas tudo bem, abra em quinze minutos se preferir.
- Prefiro.
Desligaram, e ele ficou deitado por mais um tempo. Levantou-se e enxaguou o rosto com água fria. Vestiu um jeans e uma blusa qualquer.
Ligou a cafeteira, quando a campainha tocou.
Renata estava maravilhosa, porém completamente encharcada. A maquiagem havia escorrido, fazendo surgir duas faixas pretas sob os olhos dela.
Beijaram-se.
- Desculpe ter deixado você se molhar. Não sabia que estava chovendo.
- Não faz mal. Posso entrar?
Ela entrou, e foi direto para a cozinha. Abriu a geladeira e foi logo se servindo de um pote de cerejas que estava lá.
Ele começou a rir descontroladamente.
- O que foi, Carlos?
- Então você me acordou às duas horas da manhã para roubar minhas cerejas. Sagaz.
Os traços delicados dela demonstravam vergonha.
- Não entendi o que você quis dizer.
- Ora, Renata. Você só vem aqui por dois motivos: ou você quer saciar sua vontade de cerejas ou você está carente e quer transar. Mas você nunca havia me acordado de madrugada para fazer um dos dois.
Renata sorriu.
- A gente pode fazer amor mais tarde.
- Não, Renata, hoje não. Estou cansado.
- Nem tente discutir comigo. Estarei te esperando no seu quarto em meia hora. Tome um banho, escove os dentes e fiquemos juntos até nascer o sol.
- Mas...
- Sem “mas”.
Ela entrou no quarto dele com a sua bolsa cheia de segredos. Ele suspirou e foi tomar seu banho.
Meia hora depois, ele voltou para o quarto.
Renata estava lá, nua e molhada de chuva.
Carlos se deitou sobre ela e beijou as sete cerejas que ela havia tatuado em sete partes diferentes do corpo – ombro, tornozelo, pulso, atrás da orelha esquerda, colo, barriga e nuca. Sete era o número da sorte de Renata; sete era o andar de Carlos; era o mês em que eles se conheceram; sete era o dia do aniversário de Renata; era o número de anos que os dois se conheciam.

Naquela noite, Carlos pensou “estou perdido” sete vezes.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Formspring

Ela resolveu se declarar anonimamente. Foi ao Formspring.me dele e digitou:

"Você é lindo. Tudo em você me fascina, completamente. Seu mapa astral que fiz em segredo (tirando a lua em leão, mas podemos lidar com isso), os poemas que você constrói, seus cabelos completamente bagunçados, seu sorriso torto, os seus olhos limpos, seus músculos discretos. Sua personalidade, composta de autores brasileiros que você admira e de filmes franceses que você venera. Sua inteligência, sua beleza não tradicional, sua gargalhada. Tudo, tudo em você me encanta. Estou completa, platonica e perdidamente apaixonada por você".
Clicou em enviar - e percebeu que tinha esquecido de perguntar anonimamente.
"Merda".

domingo, 20 de junho de 2010

The Dark Side of the Rainbow

Ele estava fumando de novo. Prometera que iria parar, mas o vício lhe acompanhava desde os 17 anos. Agora ele já tinha 33, e a promessa de parar aos 20 tinha sido quebrada há tempos.
Estava vestido de palhaço; trabalhava no circo e percebia que não havia emprego mais medíocre, mas era o que era.
Já havia tirado a maquiagem tragicômica do rosto, então lhe restava uma barba por fazer, olheiras impressionantemente roxas e um olhar cansado. Tirou a bola vermelha que lhe cobria o nariz e o coçou. Olhou-se no espelho: estava se sentindo muito cansado. Arrancou a peruca de cachos vermelhos e bagunçou os cabelos desgrenhados.
Vestiu uma roupa normal e pôs-se a andar no escuro. Ao chegar em casa, limitou-se a tirar o cordão que continha suas quatro chaves prateadas. Durante o caminho, elas tilintavam no seu bolso. Ele não gostava disso – o barulho o irritava. As quatro chaves estavam presas ao cordão cinza. As duas maiores seriam idênticas se não fosse pelos números inscritos nas costas de cada uma. Outra era menor e quadrada, e a última e a menorzinha lembrava um cogumelo de caule avantajado.
Pegou a chave de número 611172 e abriu a porta da sua casa. Largou o material do circo em cima do sofá, colocou um hambúrguer no microondas. Esperou ficar pronto e foi comendo à casa de Lisbete Caulfield. Sabia que esse não era o seu verdadeiro nome, mas era assim que ela preferia e era assim que era conhecida na internet.
Pegou a chave de número 611241 e abriu o apartamento dela. Estava escuro e sem o menor sinal de vida. Os pais já haviam cremado o corpo da filha há uma tarde. Os dois sofriam muito ao pensar que sua filha, aparentemente normal, havia cometido suicídio.
Havia se matado com cicuta, para fazer uma homenagem sombria a Sócrates. Seu corpo, portanto, estava sereno quando fora encontrado – ela estava praticamente sorrindo à Mona Lisa. Estava em paz, por mais que tivesse agonizado antes de morrer, perdendo o controle das pernas.
A questão era por quê ela havia feito isso. Tinha 15 anos e já não era virgem, fumava seus baseados de vez em quando, estava sempre ouvindo Pink Floyd e tinha uma inteligência em exatas sobrenatural. “Por que uma adolescente que conhece o sexo, as drogas e o rock’n’roll gostaria de morrer?”.
Antes de tomar cicuta, deixou uma última mensagem em seu site de desafios matemáticos.
“Fiéis leitores,
Honrarei a Sócrates esta noite tomando do mesmo veneno que ele tomou. Comprei as flores em um estabelecimento qualquer, e com meus conhecimentos químicos não foi difícil extrair o veneno. Deixarei este site se perpetuar após a minha morte para que qualquer um que esteja interessado possa lê-lo.
Obrigada por terem me acompanhado até aqui.
Lisbete Caulfield.
P.S.: A única pessoa que pode descobrir a razão do meu suicídio usa o pseudônimo online de Holden Salander. Ele tem todas as chaves. Não o procurem.”
A verdade é que Lisbete Caulfield havia sido uma grande amiga de Holden Salander. A diferença de idade nunca havia atrapalhado – Lisbete era muito mais madura e sagaz que o próprio Holden.
Ele lera o texto de despedida – como ela havia pedido, ninguém o procurara.
“Ele tem as chaves”.
Pegou uma das duas chaves menores, entrou no quarto dela e sentou-se na cama. Pôs-se a relembrar: ela o vira vestido de palhaço na chuva e o convidou para ir à casa dela. Era linda, como uma adolescente pode ser. Ele aceitou o convite, e ela riu quando ele tirou a fantasia: “Você é um palhaço frustrado”, ela disse.
Os dois foram ao quarto dela. Tinha uma estante com no mínimo cem livros de literatura contemporânea. Não era segredo que ela gostasse de tramas bem boladas. A trilogia Millennium estava lá, ao lado de “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter”. Tinha livros de bons autores, como Stephen King, Agatha Christie, Sidney Sheldon. Machado de Assis, Voltaire, Dan Brown, Saramago, Kafka, as irmãs Brontë, Virginia Woolf, Jane Austen e Anne Rice. Na parede, um pôster do LaVey; tinha uma coleção imensa de vinis escondidos no armário.
Naquela noite, ela lhe ofereceu um cigarro de maconha.
Tragaram e acabaram fazendo sexo a noite inteira. Era uma atração fatal, quase que um caso de vidas passadas. Depois disso, o sexo entre eles passou a ser freqüente, assim como as confissões. Ele fora o segundo homem com quem ela dormira, e ambos sabiam que Holden era muito melhor do que o primeiro cara dela. Nessa época, ela tinha quatorze anos e ele tinha trinta e dois.
Numa noite, ela lhe confessou a origem do seu pseudônimo: Lisbeth Salander, da trilogia Millennium, a fascinava. Holden Caulfield (O Apanhador no Campo de Centeio) tinha muito em comum com ela: Lisbete Caulfield.
Ele tornou-se Holden Salander na mesma noite, abandonando o pseudônimo feminino de Lilly Costello.
Lisbete tinha aprendido tudo que pôde sobre computação depois de ler “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”. Logo, Holden sabia que qualquer tentativa de invadir o computador dela seria em vão.
Tentou entrar no perfil do PC dela da forma mais banal possível: chutando a senha. Não era o nome de nenhum dos seus autores ou livros favoritos. Pegou a chave que tinha o formato de um cogumelo e abriu a gaveta de rascunhos dela. Vários papéis em branco; um deles tinha o nome dos sete pecados. Lembrou do filme que eles viram juntos, “Seven”. Sorriu triste. Viu os poucos DVDs que ela tinha, resolveu guardá-los de lembrança.
Viu suas contas matemáticas ainda não resolvidas e, no fundo da gaveta, achou o papel escrito: “Meet me in Mountak”.
O que era aquilo? Um rabisco indefinível em meio a papéis em branco? Saiu procurando o DVD que tinha essa frase, e achou. Colocou para rodar, e nele só havia a frase: “PINK FLOYD GRAVOU TRILHA SONORA”.
Ficou olhando incrédulo. Parecia ser um enigma, e não muito difícil de ser decifrado, mas ele não estava conseguindo pensar direito.
Dormiu.

Quando acordou, lembrou que Lisbete havia comentado com ele que se o álbum contemporâneo “The Dark Side of the Moon” fosse tocado simultaneamente enquanto o filme “O Mágico de Oz” fosse exibido, pareceria uma autêntica trilha sonora. Não demorou muito para descobrir que a senha do computador da garota era “dorothy”.
Quando finalmente acessou o computador de Lisbete, viu duas pastas: “Platonismo” era o título da primeira e “Para Holden” era a segunda.
Ele respirou fundo e abriu “Platonismo” primeiro. Haviam vários arquivos nela: contos, músicas românticas e poemas dele mesmo. Ele entendeu o propósito da pasta: guardar os arquivos de seus amores platônicos; arquivar coisas que ela queria que tivessem sido escritas para ela.
Sentiu os olhos úmidos.
Abriu a pasta “Para Holden”. Estava criptografada. Decifrou o código com ajuda de um programa da internet e pôs-se a ler.
“A Cidade, 30/04/2010
‘-Holden.
- Diga, meu bem.
- E se nós fossemos namorados?
Eu estava nua ao seu lado. Insegura e apreensiva. Você parou para pensar.
- Seus pais me odeiam.
- Foda-se. Não foi isso que eu perguntei.
- Lisbete... Não daria certo.
Fiquei completamente arrependida de ter iniciado aquela conversa.
- Você sabe que me linchariam em praça pública por estar namorando alguém 18 anos mais nova que eu.’
Comecei a chorar. Eu sei que você ficou surpreso, eu não queria ter chorado. Mas me senti completamente idiota por – sim! – ter me apaixonado por você. Obviamente, você só queria um relacionamento casualmente sexual, e eu lhe proporcionaria muito mais com as conversas que tínhamos.
Holden, naquela hora eu me odiei mais do que me oidiava. Detestei não ter dezoito anos, ou ao menos uma idade parecida com a sua para que você quisesse namorar comigo.
Eu chorava muito, você estava extremamente confuso e ficava me abraçando.
Pus as roupas e parei de chorar.
Você lembra disso?”
Ele interrompeu a leitura. Lembrava, claro que lembrava. E sentiu um remorso muito grande – foi a primeira vez que a viu tão sentimental; não sabia que tinha provocado tudo aquilo nela.
Voltou a ler.
“Além de tudo aquilo, a escola estava uma merda, você era meu único amigo, meus pais começavam a me odiar, eu me cortava às escondidas. Eu estava me sentindo uma pentelha arrogante adepta das idéias da Igreja de Satã. Uma completa filha da puta.
Tornei-me mais impessoal com você. Só trepávamos quando você tinha vontade, e eu praticamente não sentia mais tesão. Tinha vergonha do meu corpo adolescente.
Faz quase dois meses que isso aconteceu. Sei que você vai ficar triste, mas continue sua carreira no circo e seja feliz. Tá legal?
Sei também que se você me amasse, faria jus a mim e acabaria como Virginia Woolf. Não se preocupe com isso, mas vou acabar essa carta como ela acabou a dela:
‘Não acho que seja possível que duas pessoas sejam mais felizes do que nós fomos’.
Com amor,
L.”
Ele chorava muito.
Saiu da casa dela, trancou a porta e colocou pedras nos bolsos.
Acendeu seu último cigarro e se jogou no oceano.
Fizera jus à Lisbete se matando como Virginia Woolf. Agora, só restava encontrá-la em Mountak.
Esperava.


Hey, possíveis leitores... Há muito tempo não deixo um recado por aqui para quem me lê (e eu sei que vocês existem porque instalei o Google Analytics no blog, tenho uma média de mais ou menos 30 visitas diárias. Muito bom mesmo), então depois de muito tempo sem me comunicar, lá vai uma sessão dos antigos "Asteriscos Aleatórios" (que, sim, eu roubei descaradamente da Liliane Prata):

* As estatísticas do meu blog realmente me deixaram superfeliz. De verdade.
* Porra, o Saramago morreu! Como assim?
* Meus textos andam ficando cada vez mais fortes, então tudo que eu posso dizer é: se você é supersensível, não venha no meu blog. E acabou.
* Meus textos andam ficando cada vez mais fortes, e queria também ter a possibilidade de mudar totalmente o "padrão" que o blog está tendo e publicar ALÉM DOS CONTOS coisas mais leves.
* Ando carente de comentários. Leio todos, juro. Comentem!
* Vou acabar fazendo um post sobre o Google Analytics. É a oitava maravilha do mundo, e as coisas que vocês jogam no Google e que fazem vocês aparecerem aqui são cômicas. Sério.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Delírios d’A Cidade

A serpente preta e amarela se rastejava pel’A Cidade inquietamente. Encantava os moradores d’A Cidade com seu couro bonito, que era amarelo-cor-de-feno com preto-que-no-sol-virava-verde.
Não era perigosa, só ousada o suficiente para desafiar os moradores d’A Cidade a colocarem-na na boca e provarem do seu veneno.
A serpente observava tudo com seus olhos brancos e quase ocidentais. Pelo caminho, viu uma menina de unhas azuis lendo um livro e seu admirador secreto; viu uma bailarina dançando com um cantor; uma mulher com uma pimenta tatuada na virilha; uma prostituta ruiva e cenas mais simples como um homem comprando rosas para a sua esposa. Ela vira todos esses e os desafiara mostrando sua língua que se mexia sem cessar, como se dissesse: “provarei do teu veneno se quiseres provar do meu”.
Como fora parar n’A Cidade, no entanto, não sabia. Saíra de um cesto de um indiano que a forçava a esgueirar-se musicalmente para fora do cesto quando ele bem entendesse. Cansou-se, e rastejou até onde pôde fazê-lo.
Dentro d’A Cidade, acabou achando um verdadeiro apreciador de serpentes que era fascinado pela sua espécie.
Por fim, ela enrolou-se pelo corpo dele, e o penetrou com a boca. Provou do veneno dele e deu-lhe do seu.

“A insegurança não me ataca quando erro, e o teu momento passa a ser o meu instante”.

sábado, 5 de junho de 2010

Pequena

Estou sentado na praça onde tive minha vida irrevogavelmente alterada. Para me sentar, escolhi o mesmo banco onde estava sentado naquela tarde de junho, no momento em que a conheci.
Devia estar no início da juventude, com meus vinte e poucos anos. O ano certo não me vem à mente.
Eu era um jovem tímido na década de 80. Estava sentado no banco citado, vestindo a camiseta mais larga que tinha, da banda liderada por um pisciano depressivo que acabou se matando. Eu roia as minhas unhas, mania que demonstrava a minha infinita insegurança.
Ela se aproximou de mim; não peguei seu nome, por isso a chamarei carinhosamente de Pequena. A primeira coisa que ela disse foi surpreendente:
- Tire a mão da boca.
Olhei para a criatura lourinha e sardenta. Tinha imensos olhos azuis e curiosos.
Eu não soube respondê-la.
- Por favor, pare de roer as tuas unhas.
Tirei a mão da boca e não vi outra opção senão questioná-la.
- Por quê?
- Porque é terrível. De longe senti a tua insegurança, percebi metade dos teus medos.
Percebi, naquela hora, tanta firmeza e verdade na voz dela que até me arrepiei. Pequena definitivamente tinha um grande lado espiritual.
- Responda-me, garoto: quando você faz aniversário?
- Hoje – respondi.
Ela arregalou os olhos. Tentando ter tato, me disse:
- Você é o primeiro geminiano que eu conheço que passa o aniversário sozinha. A idéia deve te desagradar muito.
- Realmente, é desagradável passar um aniversário sozinho. Gosto de vir aqui para pensar, e o fiz.
- Quer um conselho?
“Não”.
- Diga.
- Converse com todos, faça amigos, ande descalço na grama, largue as drogas – mas mantenha o sexo e o rock’n’roll bem alto -, cheire incensos, pense que você é jovem e tem tudo pela frente quando quiser esquecer problemas. Esqueça os problemas! Leia muito, aprenda sobre tudo, descubra-se através do misticismo. E pare de roer as unhas – alem de conotar insegurança, é nojento.
Ela me pediu um abraço e saiu dançando-saltitando-andando.
Acabou que Pequena me fez voltar a sonhar e a gostar da vida, a acreditar nas pessoas. Nas coisas simples.
Fiz tudo que ela me recomendou e ainda mais: viajei pela Europa, mergulhei no mar, me apaixonei platonicamente e comprei uma tesoura de unhas para deixá-las sempre limpas e aparadas.
Voltei à praça hoje porque em casamento a mulher que será minha até o apocalipse.
Sei que é ela, e o sei porque logo no primeiro encontro ela falou que minhas mãos eram lindas, por conta das minhas unhas limpas e bem cortadas.
Nunca mais vi Pequena, mas devo a minha condição de atual e eterna felicidade à ela.
(Para a Tia Paulinha).