segunda-feira, 26 de julho de 2010

Gente

que acena para o avião que voa ao longe, como se fosse um sonho tão bonito quanto distante. Gente malandra, que não poupa um assobio para a mulata que passa de vestido. Um pessoal que cria galinha, cabrito, cachorro e gato dentro de casa e ainda dá um jeito de deixar todos os bichanos felizes. Gente que ouve o forrozinho gostoso demais da conta dentro da casa que deixa ver as telhas, e que não se importa se está alto demais. Gente que se suja de terra e come arroz com feijão todo dia, que deita na rede e anda com todas as canas da plantação no ombro. Gente que pendura roupa molhada no fio do lado de fora da casa e não se preocupa se os outros virem, porque os outros fazem o mesmo. Quase-gente que carrega doze quilos de carvão nas costas, volta para casa e vê a mãe lavando roupa no balde e o pai metendo a enxada nessa terra do serão feio e seco, pra depois a família toda ir pra missa eu vai acontecer na igrejinha do meio da praça, aquela mesma, que tá com a pintura amarela descascando e que tem o sino enferrujado bem no alto. Gente que toma banho na cachoeira, olha pro alto e vê aquele mesmo avião e acena pra outra gente, uma gente diferente que não sabe nem o que é sofrer por causa da chuva que não vem.
E mesmo assim eu não consigo ficar com raiva, porque é tanta beleza nesse mundão lindo de meu Deus...
Porto de Galinhas, 17 de julho de 2010.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

À Flor da Pele

Ela foi explorar aquele prédio pequeno no qual caíra de pára-quedas e acabou achando uma sacada. Estava chuviscando.
Olhou para o lado e, enciumada, viu que um homem de jeans e blusa laranja fumando. Portanto, a sacada não podia ser considerada sua descoberta. Os tocos de cigarros no chão comprovavam isso.
Tirou da bolsa os manuscritos e os releu. Essa segunda vez pareceu mais uma facada no peito do que qualquer outra coisa.
Acendeu seu cigarro com aroma de maçãs. Estava escurecendo, mas ela decidiu que tinha que contar a ele – logo, saiu correndo até a sua casa.
Não era tão longe assim. Cortou caminho pelo gramado – descalçou-se.
Tocou a campainha da casa gótica. 19:09.
Ele abriu a porta, ela entrou. Ele deu-lhe uma toalha, ela se secou e acendeu outro cigarro.
Tomou coragem e resolveu contá-lo sobre o que havia sentido ao ler seus manuscritos.
Soltou a fumaça e apagou o cigarro. Ainda estava tremendo.
- Não suporto mais ler o que você escreve, porque admiro demais as suas musas barra personagens, e sei que você não as escreveu pensando em mim.
- Amor, você me faz sentir do mesmo jeito. Toda vez que leio um conto seu, penso: “porra, mas isso foi fantástico!”.
- Mas você não fica enciumado.
- Fiquei com o conto das cerejas, lembra?
- Foi só uma vez, com um conto só.
Pausa. Ela retomou a fala.
- Sinto ciúmes da sua literatura, primeiro porque escrevo cada vez mais para você enquanto você dá cada vez mais espaço para outras mulheres na sua escrita. E segundo porque nunca imaginei que eu namoraria alguém que escreve tão melhor que eu. Por outro lado, não consigo parar de te ler, simplesmente porque você é bom nisso.
Ele riu diante das afirmações que considerava absurdas e da arrogância que considerava deliciosa.

***

Horas mais tarde, depois de alguns capuccinos que ela fez e de um dilúvio n’A Cidade – que antes era só uma porção de gotas chuviscadas -, ele falou:

- Então vou escrever um conto sobre você.
Ela, sorrindo, olhou para ele com a mesma cara com a qual olharia para o Paul McCartney. Depois de instantes, dissuadiu-se:
- Mas, se for sobre mim, eu não vou admirar a personagem como admiro as suas outras, entende?

***

Era assim o amor.

***

Definitivamente para Rodrigo Correia.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cold December

Estar apaixonada é ouvir a mesma música um milhão de vezes e ainda assim achar que não precisa de nenhuma outra.

Porto de Galinhas, 17 de julho de 2010.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Happiness Is a Warm Gun

Ficar sozinha ouvindo música que outras pessoas escreveram, deitar na grama, chupar tangerina, reconhecer que se começa a chover o melhor a fazer é dançar na chuva.

Comer chocolate, sorrir de paixão, brigar e fazer as pazes, chorar de soluçar, lambuzar o rosto com o recheio de um bolinho.
Ver filmes, dançar sozinha na frente do espelho, suspirar pelo baixista, contar segredos, querer dormir a tarde inteira, te ligar a cobrar de madrugada. Abraço de tamanduá, beijos com mordidas.

{Pequenas noções de felicidade que parece que só eu tenho}.


P.S.: Viajarei, e passarei dez dias sem postar. Ou não. Esse blog é uma surpresa! (Ou não).

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mais Estranho que a Ficção

"O telefonema pegou-a de surpresa. Atendeu com impaciência, os olhos presos ao livro que tinha em mãos, uma história policial que não conseguia parar de ler. Era bom estar sozinha, lendo um livro de suspense numa noite de ventania. O sábado já estava quase no fim e ela ali, presa àquelas páginas. O som do telefone era uma intromissão, um estorvo. Atendeu a contragosto."*
- Alô?
- Boa noite, é do telefone da Cecília Marques?
- Sou eu - disse ela, tentando identificar a voz.
- Aqui é o chefe da polícia. Cecília, me diga: o nome Priscila Coluccini é familiar para você?
- É, sim. - Ela começou a sentir medo com a menção do nome da sua melhor amiga - Nos conhecemos há oito anos. Aconteceu algo?
- Sua amiga acabou de ser encontrada morta. Ela não estava com a identidade, mas seu número estava entre os favoritos do celular dela.
Silêncio. Cecília sentia a sensação estranha de dèja vú.
- Precisamos de você para nos ajudar a resolver este caso.
- Claro. Faça as perguntas que quiser.
- Você precisa vir até aqui.
- Mas... por quê?
- Se nós a virmos pessoalmente, saberemos se você mentir.
Cecília ficou ofendida com a idéia, mas pegou o endereço do lugar e em quinze minutos estava lá.
Encontrou-se com o chefe da polícia, mas toda frase que ele falava e também todas as respostas que ela davam faziam com que Cecília se sentisse familiarizada com a situação nunca vivida.
Respondeu à perguntas banais que soube responder com facilidade; "Não, Priscila não era depressiva e não cometeria suicídio sem deixar uma carta. Ela não era bem-vista por todos em seu trabalho. Sim, ela costumava freqüentar o local do crime."
Algum tempo depois de interrogatório, Cecília foi liberada.
Ela estava dirigindo a caminho de casa com a janela aberta quando percebeu. Estava tão atordoada com a morte da amiga que não havia se tocado de que todas as cenas que tinham acontecido naquela noite aconteceram também no romance policial que lia mais cedo.
Ela ficou atônita ao constatar que era uma personagem secundária, que aparecera na história logo no início, para dar continuidade a uma série de assassinatos.
Cecília seria o segundo caso de homicídio, que aconteceu logo nas primeiras cinqüenta páginas do livro.
Ela tinha sua história escrita por alguém. Era escrava da literatura alheia - e, pessoalmente, achou a idéia um saco.
Foi consumida por um desejo louco de chegar em casa, terminar o livro para identificar o assassino e o revelar para a polícia.
Não deu tempo. Antes disso, dois tiros adentraram o carro pela janela aberta e acertaram Cecília na cabeça.

*: O início do texto é da Heloísa Seixas, do livro Contos Mínimos.

Diálogo I entre II amigas

- Então, eu estou apaixonada por ele.
Pausa.
- Não, você não está.
- Por que eu não estaria?
- Você acabou de terminar um namoro.
- Já fazem duas semanas.
- fazem duas semanas.
- Ok, eu não escolhi isso. Things just happen.
- Mas você... Desculpe se isso te magoar, mas você era louca pelo seu ex. Você não pode simplesmente estar gostando de outro agora. Deve ser só um caso típico de transferência.
Nova pausa.
- Hã?
- Em termos banais e não-psiquiátricos, transferência é quando você transfere seu sentimento para uma segunda pessoa.
- Besteira. Estou apaixonada.
- É? E ele sabe?
- Não. É platônico, por enquanto.
- Ai, eu sabia! Agora eu entendi porque você gosta - não, porque você acha que gosta - dele. Vocês conversam?
- Hmmmmm... Não muito.
- É por isso! Você não está apaixonada por ele! Você está apaixonada pela projeção dele que você fez! Você só diz gostar dele por causa da imagem de poeta-anarquista-boêmio-músico-intelectual que ele te passa!
- Bom, mas eu gosto, não gosto? Então pronto!
- Mas... E o seu ex?
- É um babaca.
- Sim, disso eu sei. Mas você gostava dele.
- Passado. Ele me destruiu, e agora gosto de outro. Simples assim.
- Mas, querida, isso não faz sentido.
Do outro lado da linha, ela sorriu.
- Mas não tem que fazer sentido. O amor não tem sentido: o amor é o sentido!
Desligou.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Hiperflexível

A garota loura entrou no picadeiro dando cambalhotas. A platéia aplaudiu a ilustre contorcionista.
Ela levantou-se de um salto e sorriu.
Pegou a caixa do tamanho de um microondas e a mostrou no alto. Todos ficaram boquiabertos – “não creio que ela consegue fazer isso!”.
Pôs a caixa no chão, saiu do palco por uns instantes para logo voltar fazendo bananeiras com as pernas sob os ombros.
Aplausos.
Rolou para dentro da caixa. Com as pernas cruzadas, os braços amarrados em si e o tronco inclinado para trás, fazendo-a parecer uma tábua esquisita, ela sumiu dentro da caixa.
Com a mesma facilidade com a qual entrou, saiu da caixa.
Pulando, foi exibir-se ao público. “Olhem como meu braço forma um ângulo de 360°! E como meus dedos encostam no dorso da minha mão. Vejam! – consigo fazer a ponta dos meus pés encostarem na cabeça! Agora, respeitável público, atenção. Vejam o que eu faço com os panos que saem do teto”.
Rapidamente enroscou-se no pano vermelho, parecendo um pequeno macaquinho. Pôs-se de cabeça para baixo em um pequeno movimento muscular. Colocou as mãos nas costas, cruzou as pernas – ramo de planta venenosa parasitando um vegetal saudável. Subiu até finalmente alcançar o topo da corda – demorou muito para pôr os pés no chão.
Contorcia-se.

domingo, 11 de julho de 2010

Telegrama

- É, então é isso. Eu vou te deixar em paz, sem mais ligações a cobrar de madrugada ou bem no meio do seu almoço. Sabe, olha como vai ser bom... Ninguém nunca mais vai te cobrar respostas que você nunca tem para as minhas mensagens.
- Você nunca mais me mandou uma mensagem.
- Porque você não responde – sorriu engolindo as lágrimas, muito triste.
Pausa. Ela recomeçou.
- É... Enfim... Veja como um favor. Agora você pode passar mais tempo com suas amigas, namoradas e todo mundo que você gosta sem eu para reclamar de ciúmes.
Houve uma pausa.
- Desculpe ter interrompido seus estudos – na verdade, queria dizer “desculpa ter atrapalhado a sua vida” -. Já vou.
- Mas e as vasilhas?
- Pode ficar para a sua coleção. Come os biscoitos, porque são os que você gosta.


Saiu da casa e agradeceu por nunca mais ter que ver o cachorro que latia. Despediu-se das ondulações do telhado.
Chorava muito, mas sabia porque estava fazendo isso. Por todas as vezes que havia o convidado para um cinema e ele havia dito “pode ser”; por todas as vezes que ela tinha aberto o seu coração enquanto os conselhos dele eram de uma frieza sobrenatural. Estava fazendo aquilo por todas as vezes que havia mandado uma mensagem de “dorme bem” no celular e não havia recebido resposta. Por todas as vezes que sentiu o corpo estremecer de alegria por estar com ele e não viu a mesma reação. Por todos os “acho que sim” que ela ouviu enquanto precisava ter ouvido “com certeza!”. Por todos os “eu te amo” não ditos, por todos os textos que ela suplicou para ele ler de madrugada enquanto ele alegava algum motivo banal para se esquivar da tarefa. Estava fazendo aquilo porque ela precisava de alguém e queria que ele fosse esse alguém – enquanto ele fazia questão de parecer não significar ninguém.

Alguns meses a partir de agora, e o Gol da cor dos olhos dela buzinaria embaixo do prédio de seis andares no qual ela morava.
- O que você está fazendo aqui?
- Não agüento mais o chororô lá em casa. Vem.
Chorava muito, mas sabia porque estava fazendo isso. Estava fazendo aquilo porque “ohana” quer dizer família, e família quer dizer nunca abandonar ou esquecer.

(Para João Victor Gusmão).

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A Queda

Ela olhou para baixo do sétimo andar. Sentiu medo da altura, mas, pela primeira vez, pular não pareceu uma má idéia.
Ficou lá, parada, com uma única pergunta:

"O que acontece se eu me jogar?"

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cidade Maravilha

Rolava na areia sorrindo de boba. Há tempos não sentia tão gostosa sensação quanto a que os grãos de areia provocavam em seu corpo.
Ventava.
Levantou-se da toalha e correu até o mar, deixando a espuma gelada e branca levá-la pelos tornozelos.
Seus pés faziam amor com a água.

Percebeu-se feliz.


Rio de Janeiro, 6 de julho de 2010.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Busca Pelo Sexo

Ana estava estirada no sofá, tomando um café. Parecia frustrada com o rumo que as coisas {não} haviam tomado recentemente.
Tinha 20 anos e era virgem – e não gostava da idéia. Tinha ascendente em escorpião, mas na verdade era capricorniana. Evidente que seu mapa astral era o problema.
Aos 18, estava buscando nos contos de desespero achar o amor da sua vida. Resolveu mudar seu estereótipo de boazinha que nunca teve um namorado. Fez as malas, comprou uma passagem só de ida pela Europa e lá se foi.

Tudo começou quando entrou na faculdade. Passou a freqüentar os bares com a turma feminina, em meio à boemia, as conversas sempre acabavam girando em torno de uma só coisa: homens.
Ela ficava sempre como ouvinte e, raramente, quando pediam sua opinião, inventava um ou outro detalhe visto nos filmes do Almodóvar.

Passou um ano na Europa. Teve uma estadia fantástica nos seis países em que ficou. Conheceu três caras que poderiam ter sido o seu primeiro.
O primeiro possível candidato a desvirginá-la era Calisto, da Grécia. Calisto era bonito; fazia Ana rir; levou-a para conhecer a parte histórica de Atenas. Ana estava adorando tudo: era o primeiro país no qual fora e parecia estar perto do seu objetivo.
Um mês e meio depois de flertes e beijos escondidos, Ana foi à casa de Calisto – e descobriu que ele tinha um defeito que ela não poderia curar.
Chamava-se Sofia.
Ela entrou repentinamente no quarto enquanto Calisto estava com as mãos quentes nas zonas úmidas de Ana. Começou a proferir xingamentos gregos, mas quando começou a agredir o marido com uma vassoura, Ana achou melhor ir embora.

Foi para a Escócia 15 dias depois, e tudo que conseguiu lá foi ter certeza de que o monstro do Lago Ness não existia.
De lá foi para a França – onde tudo que conseguiu foi trocar beijos um tal de Jean. Ou seria Jacques? Não se lembrava mais; não acrescentara nada.
Quando foi para a Itália, estava desanimando. Foi quando, de repente, esbarrou com Fabrizio na frente da Torre de Pisa. Ele quebrou sua máquina fotográfica e pediu “perdono” mil vezes; convidou a máquina digital para um conserto e Ana para um jantar.
Não demorou mais de dez dias, e Ana foi convidada para a cama.
Despir. Tocar. Beijar.
E ele falhou na hora de penetrá-la.
Ana ficou decepcionada, mas manteve a calma e seguiu os conselhos das revistas femininas – manteve a calma, fez ele se deitar e deu-lhe alguns beijos. Fabrizio se trancou no banheiro por alguns minutos. Quando saiu, com os olhos vermelhos, pediu para que Ana saísse da casa.
Os dois nunca mais se viram.
Última parada: Inglaterra. Não muito diferente dos outros lugares: hotel bacana, gente bonita, vários pontos turísticos.
Foi em uma das boates londrinas onde Ana conheceu James. Ele era quinze anos mais velho que ela, separado e sem filhos. Executivo bem-sucedido.
Naquela mesma noite, Ana foi para o apartamento dele.
O mesmo ritual de despir-tocar-beijar aconteceu. Mas dessa vez, Ana chegou a ser penetrada.
E doeu tanto que ela não foi até o final. Permaneceu virgem e resolveu voltar para casa.
Um ano depois, e ela estava estirada no sofá tomando café. Algum mentecapto assoprava vuvuzelas às 21:27 daquele sábado. Sentiu vontade de externar sua raiva por aquela buzina estúpida vendo algo bem violento e cheio de sangue com vingança.
Kill Bill.
Discou o número da locadora que entregava filmes. Pediu os II Volumes de Kill Bill para rever.
- Em 15 minutos vamos estar entregando, senhora.
- Estaremos. E sou senhorita.
Pausa.
- Em 15 minutos estaremos entregando, senhorita.
- Bem melhor.
Terminou o café, levou a xícara para a pia e olhou-se no espelho: cabelo solto, shortinho jeans, blusa de banda (The Beatles) e meias. Soprou a franja para cima e foi atender a porta.
O entregador dos filmes era ligeiramente alto e tinha a pele muito branca. Usava barba e seus óculos vintage eram vermelhos.
Ele olhou para a blusa dela.
- É claro que a pessoa que alugou Kill Bill dezessete vezes em dois anos é uma fã dos Beatles.
Ana sorriu, boba.
- Quer entrar para um café?
Ele assentiu com um sorriso à Mona Lisa.
E, naquela noite, Ana perdeu sua virgindade enquanto o estéreo berrava Helter Skelter.

(Conto baseado na idéia do Gustavo Haeser. Obrigada pela ajudinha extra à Bruna Calland e ao Henrique Gattermeyer).

"Peixes, logo vi, regente Netuno, ah Netuno, cuidado com as ilusões mocinha, profundas e enganosas como o mar que é teu elemento."
(Caio Fernando Abreu)