quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Perfume das Salamandras

As fadas foram até a minha orelha com um perfume doce e marcante. Dedilharam a melodia dos ventos para mim e, quando resolvi olhar para elas, vi uma chuva de violetas, lírios e Rosas, todas bem vivas e cintilantes.
Daí eu soube que tudo ficaria bem.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Algumas Verdades

Tu chegas no paraíso após minhas juras e pronúncias repetidas de amor. Teu corpo queima como o teu cigarro de aura roxa.
A liberdade não vale a pena se estou contigo. Ou sou tua ou não sou. Não fazemos as coisas pela metade. Sentimentos só valem a pena se forem intensos como os monges em chamas da tua imaginação.
Tudo em ti me completa; não acho que seria capaz de admirar fotografias, fragmentos e jeitos entusiasmados assim como admiro essas tuas partes.
{Eu};
sempre tua
{Você};
sempre meu
{O amor, o terreno e os dilúvios}
sempre nossos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cumplicidade

Chego em casa de madrugada e entro no chuveiro para lavar seu cheiro e as lembranças dos passos descompassados que demos juntos da minha pele.
Deito-me na cama, cansada porém eufórica, e lembro da graça que você é por ter nascido com o terceiro signo no ascendente, fazendo tuas mãos inquietas circularem no ar. Tua voz sonolenta, semelhante à tua voz excitada, me provocando eterna e simplesmente. A água do chuveiro que cai enquanto você ouve e todos os gêmeos que fizeram parte de um trio na hora do amor.
Você acha que sou uma grande provocadora e que eu faria um homem crescido chorar num tobogã, mas não é verdade.
A espera do dezembro frio está me matando; anseio o momento em que vou fincar, novamente, minhas presas nos seus ombros.

Um dia é da caçadora, o outro também.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A Ovelha e o Lobo

A ovelha entra na toca do lobo. Não enxerga muito bem, com a escuridão que faz lá dentro. Esbarra em alguma coisa que se quebra - é uma garrafa. Ela não poderia saber que, antes de se despedaçar em mil pedacinhos, o recipiente levava escrito de um lado "amor" e do outro "infelicidades da vida". Da garrafa sai um líquido que tem cheiro de proibido e aspecto de Afrodite, mas a ovelha, lambendo o chão, o toma mesmo assim.
Quando acorda, o lobo está fitando-a incessantemente. A ovelha não entende e nem sabe como, mas sente como se estivesse pronta para sacrificar-se e a doar-se para o lobo - e, conhecendo a natureza de ovelhas e lobos, provavelmente é o que acontecerá.

Passa-se um tempo. O lobo, uma espécie ferina e sem-matilha, convive com a ovelha, dócil como sempre fora. O lobo dá abrigo e deixa que a ovelha saia para comer e volte para a toca.
Não se sabe quanto tempo os bichos ficaram assim, mas, numa noite, o lobo esperou até que a ovelha ficasse cega de sono, afundou o focinho sobre o peito revestido de lã e, num impulso facilmente concebido, arrancou o coração da ovelha fora.
Com o órgão na boca, deu meia volta e deixou um corpo fraco e suplicante na penumbra da toca.

domingo, 5 de setembro de 2010

Seca

Caminhando, chego na árvore sem folhas por causa dos cento e um dias sem chuva. Minha melhor amiga de troncos e galhos retorcidos, que nem a gente aprende nos livros de Geografia que falam sobre o cerrado.
Sento no tronco; "prazer, sei que você não está me reconhecendo. Sou a Srta. Nostálgica, lembra-se de mim? Não? Acho que da última vez me apresentei como srta. Medrosa".
Jogo-me no chão. De pernas cruzadas, amaldiçôo a chuva que não cai e começo a quebrar as folhas secas que estão espalhadas pelo terreno avermelhado. Faço um paralelo entre as folhas e o meu coração.
Com o mesmo estilete que fez meu pulso arder e sangrar na noite anterior enquanto um tango soava no quarto, marquei nossas iniciais no tronco da árvore, lembrando-me sempre que amores de verdade deixam marcas.