sábado, 30 de outubro de 2010

Golden Slumbers/Carry That Weight/The End

Brincando de doceira hoje, inventei de te dar meus brigadeiros na boca. Você olhou para mim com a sua cara de cão sem dono e pediu beijos. E fui alternando - um brigadeiro na boca, um beijo na boca. Um brigadeiro para mim, um beijo de chocolate pra você.
O que mais gosto nas nossas conversas é que, depois de cinco minutos com nós dois nos derretendo com a voz um do outro, começamos a falar em prosa.

E aí eu quero te beijar.

Meia dúzia de palavras bonitas fazem com que eu não queira tomar meia dúzia de comprimidos por segundo.

Cansado, ele arrancou seu pulso do meu braço para conseguir gesticular melhor. Eu sabia que estávamos no meio de uma briga, mas não pude deixar de sorrir.

Era meu namorado com ascendente em gêmeos, só meu...

domingo, 24 de outubro de 2010

Um Pouco de Cada (I)

A menina dos olhos profundos tem o nome parecido com uma música da Legião Urbana. Usa vários anéis, porque seu Beatle favorito é Ringo Starr. Solta os cabelos negros e deixa que caiam sobre os ombros, me dando uma imensa vontade de tocá-los. Não se equilibra bem num salto alto, mas arranca suspiros de ambos os lados quando se enfia em um tomara-que-caia preto, leve e solto.
A menina das mãos bonitas gosta de falar, e estuda misticismo. Gosta de música, e pode ficar louca e procurar um analista, tamanha seria sua tristeza - mas isso só me dá mais vontade de vê-la nua, despida de todas as suas máscaras, no divã.
A menina do sorriso lindo me deixa curiosa quando futrica em sua bolsa amarela, e me deixa aliviada ao curar minhas insônias homéricas. A menina dos óculos de armação preta me desarma ao me revelar seus fetiches mais íntimos e seus carmas mais profundos. Fala-me sobre nomes e signos que traumatizaram-na, e também sobre quem a fez feliz. Ao reclamar - de cansaço ou falta de grana -, me deixa com uma vontade de massagear suas costas. Desejos platônicos que nunca serão realizados, por um lado. E desejos possíveis, por outro, porque somos dois. II.
Duas.
A menina inalcançável me faz de boba, porque invento desculpas para pegar nas suas mãos.
Nossas palmas são parecidas; nossas linhas têm o mesmo comprimento, mas não são cruzadas.

Eu acho que é isso que está escrito.

sábado, 9 de outubro de 2010

Anatomia Astrológica

No início do meu estudo sobre astrologia, comecei a ler sobre anatomia astrológica. Cada signo tem relação com uma parte específica do corpo; Áries com a cabeça e rosto; touro com a boca e garganta; gêmeos com as mãos e braços; etc. Daí li que peixes estava ligado aos pés.
"Ora! Como assim? Uma falha na minha religião?", pensei. Meus pés são feios, descuidados, dedos desproporcionais. As solas são desgastadas e sujas, porque estou sempre andando descalça pela grama ou pelo asfalto. Sempre achei estranho gente que tem fetiches com pés (devido a minha imensa capacidade de me apaixonar por rapazes com gêmeos em algum ponto importante do mapa astral, sempre preferi as mãos). Tudo bem, astrologia continuava fazendo sentido e sendo um estudo interessante; eu só era uma pisciana desligada aos pés, afinal. Fui estudando mais, e vi que os signos não estão ligados a somente uma, mas a mais ou menos três partes do corpo. Ah, tudo bem. Agora sim.
Mas é claro que ele tinha de aparecer para derrubar todas as minhas convicções.
Apoiou meus pés no seu colo e começou a massageá-los. Era como se eu tivesse descoberto uma nova zona erógena - meu Deus, como ninguém havia feito isso antes?!
Eu ia explodir de relaxamento. Minhas unhas estavam curtas e pintadas de vermelho, minhas solas estavam limpas e as mãos mágicas daquele rapaz esperto estavam apertando meus pés firme e calmamente. Pendi a cabeça para trás e sorri longamente. Aproveitei cada cutucão.
Olhei no fundo dos olhos dele, e percebi seu desejo de beijar meus pés; levá-los à boca e me derreter.
Um gênio, simplesmente.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Canino

Hoje eu estava na janela, olhando os carros e a paisagem, quando me peguei pensando em você.
Olhei para o meu ombro e peguei um punhado de cabelos que havia caído ali.
Soprei-os para fora da janela e encarreguei as fadas de levarem-nos até a sua casa. Têm o meu cheiro - você os reconheceria.
(Espero que tenham chegado...)