domingo, 1 de maio de 2011

Nonsense

A marca dos meus cílios criou uma estampa, fincada no centro do seu peito. Só posso me aquecer se eu for ao sol. Me metamorfoseio em um lagarto, grande e gordo, me estico, absorvo gota por gota do calor e estamos prontos para mais uma rodada. Amor, pede uma porção de batata frita?, discutimos a relação em um restaurante. Minha garganta inflama. Você pensa absurdos. Os meses passam, continuo ansiando pelas suas mãos inquietas de ascendente em gêmeos. Nada se cria, tudo se transforma. Você grita que estou mentindo. Eu choro. Fazemos as pazes. Durmo aninhada no seu peito. Você continua vidrado nos meus olhos, puxa, que coisa. Nada muda. Mas aquele sábado deu errado (e daí?, forço-me a pensar). Penso em fazer aulas de francês - não, ela falava melhor do que eu. Penso em fazer dança do ventre - não, ela dançava melhor do que eu. Penso em destruir esses ciúmes e essa inveja doentia e sem-sentido do passado e vejo que preciso de ajuda. Vejo que tenho vergonha de pedir ajuda a única pessoa que pode de fato fazer isso passar. Vejo que essa vergonha não tem base alguma, já que decidi há um ano, um mês e vinte e oito dias que essa pessoa seria sempre e para sempre meu melhor amigo e cúmplice. Te peço ajuda. Sôo agressiva. Porra, como sou estúpida. Faz passar, vai, cava um pouquinho até destruir a barreira louca que estou impondo. Isso não faz sentido. Não é para fazer sentido, eu não faço sentido, você não faz sentido, somos pessoas, Freud já dizia que não fazíamos sentidos e Jung provou que é tudo muito louco, você mais do que ninguém devia saber disso.

Que merda, digito esse texto em cinco minutos e já me sinto tão melhor.
Estou perdida, me acha?