segunda-feira, 14 de novembro de 2011

(nem metade do que deveria ser)

A moça e eu reclamávamos das infelicidades da vida e eu conseguia vê-la materializada na minha frente com os olhos escuros e intensos, bem pintados, me olhando com muita intensidade. Acho que "intensidade" é uma boa palavra para definir essa garota. A gente reclamava de cabelos, cachos desordenados, cobras de Medusa, mitologias, a gente citava Caio Fernando Abreu e ela me agradecia imensamente pelo livro, a gente projetava e reclamava sobre como as coisas são cíclicas, falávamos sobre mandar recados. E enquanto havia uma identificação mútua de sermos o mesmo bicho esquisito, que se isola e não sabe se comunicar direito e sofre por isso - porque a comunicação é imprescindivelmente parceira do sentir, e a gente sente muito -, nos deprimíamos sobre como as pessoas associam amadurecimento com o esquecimento dos próprios sonhos, falávamos de Sampa e do Rio, mas acho que conseguíamos até rir um pouco do nosso próprio pessimismo. Um pouco, e raramente, mas talvez isso tenha acontecido. A garota é incrível e queria que ela soubesse disso, queria também que ela soubesse que poderia ser minha melhor amiga se quisesse.
De qualquer forma, enquanto lamentávamos não saber dançar a dança do ventre ou ter um vozerão que encanta quando se abre para cantar ou nem de ter os cabelos ondulados que nem uma colombiana da vida, ela resumiu tudo que está escrito.

"A gente não é furacão, e sim tempestade".

(Para R.d.S)

domingo, 13 de novembro de 2011

Aos Anônimos

1) Consertei a parte do blog que dizia "padaços" de chocolate. Obrigada! Nunca teria percebido.
2) Sobre a pergunta que me fizeram no post "Cantigas" (atualmente deletado): a resposta é sim. E é justamente por isso que eu deletei aquele post.
3) O anonimato me enche de curiosidade por motivos óbvios, e de medo porque ele costuma ser usado no lado negro da força.
4) Não sou tão pequenina assim. Tenho 1.65 de altura, apesar de achar o apelido carinhoso.
5) Obrigada pelo elogio aos meus olhos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Por que você fugiu?

Ao Lírio

Não me leve a mal quando digo isso, mas a confiança não vem sendo (e talvez nunca tenha sido) meu forte. Por decepções com rosas, lilases e outros tipos de flor, costumo me trancar muito e partilhar meus segredos íntimos com poucos. O problema é quando decido me abrir e o que há de mais profundo vem a tona para você, lírio. Isso é perigoso. Relações de qualquer tipo são dominadas por jogos de poder. E você sabe tanto e me conhece tão bem que isso me assusta. Sei que também tenho certo poder sobre suas ações; nem eu nem você diríamos que sabemos pouco sobre nossas vidas. Compartilhamos coisas íntimas. Se você quiser me despedaçar e me colocar na pior situação possível, você pode. E os seres vivos tem me desapontado muito nesse quesito, me fazendo mal sem ganhar nada em troca. Eu sou paranóica, eu sei. E não quero pensar numa possível vingança - tanto eu quanto você sabemos que eu também poderia despedaçar seu relacionamento com a abelha, por exemplo

Termino o fragmento com um pedido: por favor, não se nivele ao nível das outras flores. Elas, só pétalas e espinhos. Você, perfume e elegância. Não me desaponte.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O vaga-lume

Olha só, teve essa vez que eu falei que o mundo era bonito demais para a gente ficar sofrendo um pelo outro e eu vou repetir isso... Simplesmente porque é verdade. Tudo bem, tudo bem, às vezes as coisas tomam um rumo impensado e as pessoas são bastante estúpidas - nós fazemos coisas que não devíamos, e nem sempre paramos para dizer um ao outro que "isso não devia estar acontecendo". Você não vai lembrar das minhas palavras exatas, eu sei, e isso me soa óbvio. Moço, olha só, eu não te cobro verdades, eu não te cobro um compromisso, fidelidade, amor eterno, um casamento, planejamento de filhos porque isso é distante, é irreal e, acima de tudo, não é plausível - você tem as suas coisas, eu tenho as minhas, e as nossas vidas - por mais que partilhadas por meses - vão seguir sozinhas. Você tem as suas moças por aí, eu tenho meus rapazes por aqui e nós dois sabemos disso - por mais que seja intuitivamente, por mais que doa, que dê ciúmes, por mais que a gente não queira acreditar nisso. Minha promessa é só que as coisas vão ficar melhor assim; cada um para o seu canto e não se fala mais nisso. Eu vou ser forte dessa vez. Eu não quero voltar atrás. Eu não quero incomodar seus planos, sua jornada de estudos, o futuro possivelmente brilhante que você tem pela frente. Então segue, vaga-lume, e brilha pro mundo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Dual

Sumir das pessoas. Sumir de tudo. Sou uma decepção ambulante e compartilho a vontade infinita de um retiro.
Impressionante como comandos corpo-mente fazem milagres. Tomando e perdendo controle do meu corpo e da minha alma, mergulho no céu com diamantes. E enquanto deito e me afundo numa nuvem espessa e branca, penso que as nuvens me aguentam por muito mais tempo e com muito mais intensidade quando estou pensando em você.
Me afundar em depressão por não conseguir acertar... Ficar triste por sete bilhões de almas vagando sem rumo pelo planeta...

A cada dia que passa, tenho mais certeza de que deveriam dar seu nome a um furacão.