domingo, 17 de novembro de 2013

Anaís

Há muito tempo atrás, em uma terra muito distante, um cavaleiro num cavalo negro -- cor da podridão -- lhe roubou os sentimentos todos. Desde então, Anaís dedicava-lhe tudo que sentia: lágrimas incessáveis, sorrisos, suspiros, ódios, raivas, artes.

Anaís senta e conta todas as faces, as fitas duplas-faces de quem lhe roubou o coração, e ama a mais bonita.

Não o conhece. Só o sente, e sentir cansa. Anaís se sente fisicamente exausta de dedicar toda a sua energia para alguém que cavalga para longe com tanta constância, sem se dar ao trabalho de voltar alguma vez, ou de mandar lembranças, ou de acenar-lhe o lenço branco.

Anaís não o persegue. Fica quieta no seu canto, esperando... alguma coisa. Só quer ver alguma reação, mas não irá provocá-la. Não quer se cansar mais. Anaís deseja nunca ter conhecido-o, ou nunca ter se fascinado pelo seu elmo dourado e pelo seu cuidado para com os habitantes da vila. Deseja nunca ter cruzado seu caminho com o dele; como estaria sua vida agora? Seria ela feliz? O que ocuparia os seus pensamentos, dia após dia? Teria mais medo de doer?

Esperando.

No alto de uma montanha, Anaís está enfadonha e desiste. Não quer mais.

Olha para cima, estala os dedos e vira anjo da guarda.

existem tantos dias feios aí pelo mundo ao redor; temos de saber aproveitar os bonitos

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