terça-feira, 12 de agosto de 2014

o último texto

Deitada na praia, de canga estendida e o sol batendo na pele direito, pronto para transformá-la em morena de mel e pão. Toda vez que ela fecha os olhos, passa os dedos pelo emaranhado de cabelos e a risada dele vem, ecoando bonita e sincera.

Respira e sente o pulmão funcionando, subindo e descendo. Ele chega por trás e lhe arranha a barriga, enquanto ela, sonolenta, sorri sonolenta e joga um beijo para o ar.

Ela pensa; no casamento, em entrar bela e vestida de branco, o brinde, as alianças, a lua de mel em Santorini, as filhas, a rotina; as intermitências do cotidiano e da morte, às vezes sempre à espreita, às vezes pensamento distante que nem existe não mais.

Logo logo, ecoa a voz dele na cabeça, pedindo que ela não se afobe. Ela se chateia por não ser correspondida, mas no fundo se acalenta porque sabe que quer esses pés de centauro firmes no chão, a calma e serenidade, balanço de tranquilo de se levar e viver e deixar-se viver.

E mesmo que eu volte a ter quatorze anos e que eu chore e que você fique confuso, mesmo que uma vez por mês seja pouco, mesmo que você nunca me leve flores no aeroporto, mesmo que tenhamos aí uns 30 kg pra perder, mesmo que você seja meu segundo sagitariano com ascendente em gêmeos e mesmo que eu seja mais engraçada que você e mesmo que você não dê valor às coisas que eu escrevo e mesmo que você defenda sua amiga mesmo quando ela me faz mal e está errada e mesmo que não sejamos Brad e Angelina, mesmo que.

quando você deita no meu colo eu te acolho e você dorme
minha terceira margem não é o Rio -- é você

Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2014