Não sou mais a adolescente que sangrava no papel, sem entender o que realmente estavam fazendo com ela; tampouco iludida, criando histórias de amor impossíveis, mas talvez bonitas, que nunca aconteceriam.
Eu vejo tudo com clareza agora. Eu me arrependo, e gostaria de poder pedir perdão a todos que prejudiquei, e fiz sofrer, e traí, e fiz chorar. Tudo que está aqui registrado, pelo menos até Agora, sou eu... Antes. De tantas coisas, e realizações, sessões de terapia e análise, papéis de boba, tudo isso. Não apaga. Mas agora eu entendo a raiz, as duas raízes que no momento vejo como principais (as duas são humanas, mas uma narcisista e repugnante, que só posso esperar que seja punido pela justiça divina, ou até a dos homens, mesmo) de tantos comportamentos autodestrutivos e irresponsáveis; Antes eu era só inconsequente com e inconsciente de mim mesma. De Antes, só sinto falta do idealismo.
Mas agora é depois. Dizem que o arrependimento sincero eleva nosso espírito ou algo do tipo, não? Espero que sim, para que eu possa me perdoar e seguir existindo sendo eu mesma. Autêntica, espontânea e responsável, também no sentido amplo, de assumir responsabilidades muitas.
Mas sobre o Depois; não quero ficar divagando tanto sobre o antes, agora. Tanta coisa aconteceu Antes. Coisas que eu nem sei se quero expor aqui, assim. Mas foi caótico. E feio. Muitas vezes, baixo. Mas Depois...
Depois, houve paz. Houve tédio, e cumplicidade, e não havia possessividade, nem dramas intermináveis criados por mim ou por ele. Houveram muitos risos, e conversas difíceis, honestas, brutais, até; houveram gatas, as mais lindas do mundo, e móveis novos, e decoração, e tarefas domésticas infinitas. Houve muito trabalho e frustração. Também conquistas. Mas sempre com amizade, respeito, carinho. Na paz.
Devo explicar o motivo de estar falando no passado. Não é, exatamente, que tudo seja passado. Algumas coisas são presentes, mas está tudo transformado. Agora é a cama meio vazia; a sensação de desamparo; o medo do Pior Cenário Possível; a sensação de três facas cruzando meu coração. Agora, Neste Momento, é saudade precoce. Insegurança. Muito amor e esperança de que Agora seja uma oportunidade para nós, com o Melhor Cenário Possível em mente. Mas é futuro. E futuro-incerteza-medo. Tanta emoção que voltei aqui de novo.
E bem quando eu achava que isto aqui só seria revivido em um futuro bem, bem distante, por arqueólogos da internet.
Espero conseguir ser a minha melhor versão; me frustro ao perceber que os empecilhos são os mesmos que os de Antes. Mas sigo buscando formas de seguir me organizando. E desfrutar da vida e de tantas experimentações possíveis, que de tantas ainda nem sabemos quais são.
Espero ter você ao meu lado por muito tempo nesta caminhada.
Talvez eu volte para registrar o Depois que seguir, mas talvez não me inspire tão cedo. Não importa, pois não há público. Me sinto anônima sem divulgação de um URL tão arcaico. Espero que assim seja.
Com carinho,
para L.G.O.S
e para mim, quando for Depois.