O ensaísta Tales Ab'Sáber é articulado ao caracterizar o universo das baladas frequentadas por jovens nos dias atuais. No entanto, é pouco minucioso e comete equívocos ao falar, por exemplo, de uniformidade cultural - inexistente no Brasil e no mundo.
Uma balada pode ser descrita como desde um ambiente fechado e equipado no centro de Buenos Aires até como um baile funk situado na favela da Rocinha, frequentados por grupos sociais distintos, se não opostos. Esses grupos diversificados e abrangentes vão à balada porque ela cumpre muito bem o que se propõe a fazer: festa.
Ab'Saber está certo em classificar as boates como dispositivos para a gestão do prazer, mas se equivoca ao tentar racionalizar os motivos que as fazem ser frequentadas. Buscar festejos e prazer são atos intrínsecos à natureza humana (e avistados desde as celebrações mitológicas feitas por Baco), e não apenas associados à propaganda.
O ensaísta não poderia estar mais enganado ao dizer que a música perdeu a importância em detrimento da pirotecnia. A tecnologia nos permitiu fazer um espetáculo sensorial que agrega sensações táteis à visão e à audição musical.
As baladas, portanto, configuram um universo de entretenimento sinestésico, bastante atraente para os jovens na atualidade.