domingo, 24 de outubro de 2010

Um Pouco de Cada (I)

A menina dos olhos profundos tem o nome parecido com uma música da Legião Urbana. Usa vários anéis, porque seu Beatle favorito é Ringo Starr. Solta os cabelos negros e deixa que caiam sobre os ombros, me dando uma imensa vontade de tocá-los. Não se equilibra bem num salto alto, mas arranca suspiros de ambos os lados quando se enfia em um tomara-que-caia preto, leve e solto.
A menina das mãos bonitas gosta de falar, e estuda misticismo. Gosta de música, e pode ficar louca e procurar um analista, tamanha seria sua tristeza - mas isso só me dá mais vontade de vê-la nua, despida de todas as suas máscaras, no divã.
A menina do sorriso lindo me deixa curiosa quando futrica em sua bolsa amarela, e me deixa aliviada ao curar minhas insônias homéricas. A menina dos óculos de armação preta me desarma ao me revelar seus fetiches mais íntimos e seus carmas mais profundos. Fala-me sobre nomes e signos que traumatizaram-na, e também sobre quem a fez feliz. Ao reclamar - de cansaço ou falta de grana -, me deixa com uma vontade de massagear suas costas. Desejos platônicos que nunca serão realizados, por um lado. E desejos possíveis, por outro, porque somos dois. II.
Duas.
A menina inalcançável me faz de boba, porque invento desculpas para pegar nas suas mãos.
Nossas palmas são parecidas; nossas linhas têm o mesmo comprimento, mas não são cruzadas.

Eu acho que é isso que está escrito.

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