quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ventania

Enfio as mãos debaixo da torneira que deixa escorrer água gelada e jogo o líquido no rosto. São 06h12 da manhã, a janela está aberta e me pergunto se o resto do prédio está acordado, se preparando para mais um dia da semana, ou se está dormindo. Talvez o resto do prédio esteja chorando, ou tenha insônia, ou esteja ouvindo rock progressivo em seus fones de ouvido.
Vou escovar os dentes sem nem mesmo tomar café da manhã, e sua voz ecoa na minha cabeça dizendo que preciso comer. Largo a escova e me preparo uma grande tigela de mingau, para só conseguir comer metade dela. Estou pulando o almoço desde segunda-feira passada.
Alguém dá a partida num carro cinco andares abaixo de mim e sorrio pensando na preguiça dessa pessoa. Tento me decidir sobre se gostei do meu cabelo ou não (e decido que gostei). Lá fora, o sol tinge o firmamento de um laranja-rosa-vermelho, cor que só existe aqui e em mais nenhum lugar. Meu esmalte está descascando. Penso no que mais tirar fotos para acabar com o filme.
E então tomo uma decisão importante: coloco a cabela para fora da janela e deixo a brisa gelada dar oi para as minhas bochechas, deixando meu nariz avermelhado de frio. O sol começa a fazer os ipês brilharem e ilumina as copas das árvores.

Esse mundo é bonito demais pra gente ficar sofrendo um pelo outro...

2 comentários:

  1. De fato, bonito demais pra sofrermos. Mas leva tempo pra chegarmos nessa conclusão. E o tempo é curto demais.

    Texto lindo. Bjs.

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  2. ótimo texto moça (as always,duh) =]
    sua capacidade de transformar sentimentos em palavras é algo surpreendente...

    p.s.:be strong. lol

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