
Enfio as mãos debaixo da torneira que deixa escorrer água gelada e jogo o líquido no rosto. São 06h12 da manhã, a janela está aberta e me pergunto se o resto do prédio está acordado, se preparando para mais um dia da semana, ou se está dormindo. Talvez o resto do prédio esteja chorando, ou tenha insônia, ou esteja ouvindo rock progressivo em seus fones de ouvido.
Vou escovar os dentes sem nem mesmo tomar café da manhã, e sua voz ecoa na minha cabeça dizendo que preciso comer. Largo a escova e me preparo uma grande tigela de mingau, para só conseguir comer metade dela. Estou pulando o almoço desde segunda-feira passada. Alguém dá a partida num carro cinco andares abaixo de mim e sorrio pensando na preguiça dessa pessoa. Tento me decidir sobre se gostei do meu cabelo ou não (e decido que gostei). Lá fora, o sol tinge o firmamento de um laranja-rosa-vermelho, cor que só existe aqui e em mais nenhum lugar. Meu esmalte está descascando. Penso no que mais tirar fotos para acabar com o filme.
E então tomo uma decisão importante: coloco a cabela para fora da janela e deixo a brisa gelada dar oi para as minhas bochechas, deixando meu nariz avermelhado de frio. O sol começa a fazer os ipês brilharem e ilumina as copas das árvores.
Esse mundo é bonito demais pra gente ficar sofrendo um pelo outro...
E então tomo uma decisão importante: coloco a cabela para fora da janela e deixo a brisa gelada dar oi para as minhas bochechas, deixando meu nariz avermelhado de frio. O sol começa a fazer os ipês brilharem e ilumina as copas das árvores.
Esse mundo é bonito demais pra gente ficar sofrendo um pelo outro...
De fato, bonito demais pra sofrermos. Mas leva tempo pra chegarmos nessa conclusão. E o tempo é curto demais.
ResponderExcluirTexto lindo. Bjs.
ótimo texto moça (as always,duh) =]
ResponderExcluirsua capacidade de transformar sentimentos em palavras é algo surpreendente...
p.s.:be strong. lol