terça-feira, 18 de outubro de 2011

Staring at the Sea

Ela pegou o frasco de perfume que estava sobre a cabeceira da cama. Alaska, seu perfume com aroma de sol, suor e baunilha sempre fazia com que ela se sentisse bem. Não mais bonita, não mais atraente, não deliciosa. Só mais leve.
Foi encontrá-lo na beira do mar. Estava escurecendo e o sol se punha daquela forma que faz o céu ficar avermelhado e transforma as sombras de todos em monstros alongados. Sentaram-se na areia e conversaram. Ela ria daquelas mãos inquietas e o observava com grandes olhos verdes-cor-de-mar, curiosa e ansiando pelas próximas palavras. Ele sentia a garganta secar.
Olhos verdes são a mais nova maldição do século XXI, ela pensou. Quis falar, mas sorriu à Mona Lisa. Achou que dessa forma diria a ele muito mais.
Os dedos finos dele estavam envenenados. O veneno atingiu o calcanhar de Aquiles feminino, que desaguava em pés que faziam amor com o chão. O chão, por sua vez, era infinitude de milhares de pontos feitos de areia.
Ela o fitou com doçura; ele nunca saberia. Com medo - mas conformada e talvez até satisfeita com a possibilidade -, ela se perguntou se ele, muito pelo contrário, não só já saberia como também teria certeza.
A garota se inclina e beija os lábios do rapaz. Sacia seu desejo profundo daqueles lábios, que a consumia de dentro para fora há meses a fio.

Corre para o mar, conformada com o veneno que lançaram-lhe às pernas, e vira sereia.

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