sábado, 2 de março de 2013

alto mar

Estou na jangada. Remo. De início, remar não é desconfortável nem difícil: é só ignorar quando o remo se torna pesado e continuar. Espero bobamente por aquela ilha deserta e paradisíaca. Não a enxergo, mas continuo remando - a Esperança, tola, nos entrega um mundo cheio de possibilidades, faz querer o inalcançável e enxergar miragens.
Remo.
Passam-se dias que se convertem em anos, o primeiro trio. Cansei, estou exausta, não quero mais remar, não sei nem por que diabos entrei nessa jangada em primeiro lugar, meus braços estão musculosos e minhas pernas, atrofiadas.
Mas continuo remando, por puro esforço, porque morrer na praia (de novo) não me parece são.

De repente, uma emoção diferente do cansaço, da fúria e das lágrimas.
Um dilema.

Olho para o lado e vejo um pedaço de terra, não muito longe de onde estou, mas também não muito confortável que a jangada onde passei os últimos dois anos. Sei que é terra firme. Também sei que não mereço isso depois de três anos remando exaustivamente e me deparando com as mais tenebrosas situações em alto-mar.
Do outro lado, bem ao longe, algo que ia me levar mais de mês, vejo uma ilha paradisíaca, ensolarada, onde as ondas vão beijar a praia - aquela ilha é meu merecido descanso, mas põe meu esforço em teste. Mais.
Também tenho certeza que, assim que pisar em terra-firme, viverei meus anos restantes e morrerei lá. Minha escolha, portanto, é definitiva - me entrego à fadiga na terrinha ou recompenso, de fato, meu esforço na ilha?

O que eu faço?
E o que você faria?

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