quarta-feira, 9 de outubro de 2013

eu: extensão de você

O retrato que alegra meus dias olha para mim, belo e iluminado. Reconheço nos seus olhos cor-de-mar os mesmos conflitos e desesperos meus. Da mesma forma que meu riso escancarado reflete nossa sinastria: se os sentimentos fossem mensuráveis, daria para medir o tanto que eu gosto de você só pelo tamanho do meu sorriso.

Pode ser que, com o passar do tempo, eu me canse de afagar suas inseguranças desconexas e absurdas. Obviamente não deixarei de fazê-lo: te consolar e cuidar, extensão do meu ser, são formas de me importar comigo, também.

Gostaria de passar meus dias a fio expondo amarguras e discutindo filosofia para com você. Interiormente, creio que essa seja minha verdadeira vocação. Também estarei aqui para te desejar saúde em resposta aos seus espirros constantes e para rir da sua mania de me pedir uma caneta emprestada nos primeiros cinco minutos de aula e só jogá-la na minha mesa depois do sino de término.

Pode até ser que Lewis Carroll não tivesse você em mente quando escreveu sua obra-prima. Peço-lhe perdão: tenho muito mais certeza nas maravilhas criadas por você do que nas por ele.

(para A.C)

Um comentário:

Cuidado!