“Também conhecida como Lilith, a Lua Negra é o ponto do apogeu da Lua, ponto em que transita mais longe da Terra. Ainda sem definição precisa, alguns astrólogos a associam aos traços ocultos da nossa personalidade, nossos sonhos mais secretos, os desejos sexuais não-revelados, e é ligada ao ponto de rebeldia. Na mitologia, teria sido a primeira mulher de Adão. Substituída pela submissa Eva, Lilith retirou-se para sempre do Jardim do Éden, sem nunca abrir mão de sua liberdade ou de seus impulsos sexuais”. (Robson Papaleo)
Sara estava percorrendo as ruas com uma velocidade assustadora: era tarde da noite e ela estava atrasada. Tinha um encontro.
Esmeralda tinha convidado-a para ir até a sua casa às 22h. As duas já haviam trocado intimidades, mas eram discretas. Não chegaram a saciar o fogo que havia entre as duas. Sara achava que estava se apaixonando.
Não que se apaixonar por Esmeralda fosse difícil. Ela era extremamente pálida – e explicava a todos que isso se devia ao fato de ter pais suecos. Os cabelos eram vermelho sangue, obviamente tingidos, mas eram espessos, ondulados; iam até a cintura. Seus olhos eram estreitos e absurdamente azuis. Eram freqüentemente pintados de preto. Ela maquiava os lábios grossos com batom vermelho todos os dias. Seu corpo era quase escultural. Ela era sexy, com um olhar muito penetrante e aquelas curvas.
As duas se conheceram no trabalho. Trabalhavam em período noturno na mesma empresa. Assim que Esmeralda entrou, tornou-se um assunto freqüente pelos corredores; pelos banheiros; pelas salas dos funcionários.
Sara viu-se encantada assim que as duas trocaram olhares. Ela era... Quente.
Sara achava que Esmeralda era um anjo.
Mal sabia que, naquela noite, ela veria o pior dos demônios.
***
Esmeralda abriu a porta. Estava usando um vestido preto que ia até os pés. Era aberto nas costas e tinha um decote em V.
Sara estava com um vestido tomara-que-caia azul. Esmeralda reparou bem nela: imensos olhos cor de mel, os lábios rosados, o corpo mignon e o cabelo liso e cortado até os ombros. Tão doce. Tão inocente. Não tinha mudado muito dos últimos anos para cá. Mas é claro que ela não se lembrava disso... Era mortal. Provavelmente não se lembrava da megera que foi.
Mas Esmeralda se lembrava. E queria vingança.
Sara desviou os olhos do decote da outra mulher. Olhou-a nos olhos azuis e profundos.Hoje ela parecia mais corada, com os lábios mais vermelhos. Estava deslumbrante.
Sorriram uma para a outra.
- Entre. E seja bem-vinda.
A casa devia ter dois andares mais o porão. Era escura e decorada vitorianamente. A mesa de jantar estava posta. Tinha um frango assado, uma enorme travessa de salada, pão sírio acompanhado por uma barra de manteiga e um pudim de leite. Uma garrafa de vinho, uma jarra de água e outra de café também estavam servidos.
- Sara, por favor, sente-se e fique à vontade. Pode servir-se também, mas você se atrasou um pouco – apontou para o relógio que marcava 22h37 – e eu já comi. Você se importa?
- Ah, não. De jeito algum. E, sobre o atraso, me desculpe. O que aconteceu f...
- Não se preocupe em explicar, querida – e sorriu.
Sentaram-se uma do lado da outra. Sara pousou a mão sobre uma das coxas de Esmeralda, que acariciava seu pescoço.
Ela adorou a comida. Estava tudo perfeito, exatamente do jeito que ela gostava. Pediu licença para ir ao banheiro e tirou sua escova de dente da bolsa. Escovou-os e voltou para a mesa tentando puxar um assunto.
- É verdade que seus pais são suecos? Por que eles se mudaram para cá?
Uma microexpressão de surpresa cruzou o rosto de Esmeralda. Ela se recuperou rápido, no entanto, e pôs Sara de pé.
- Ora, pare com isso. Nós duas sabemos por que você está aqui.
A malícia saltou nos olhos de Sara. Esmeralda despiu-se, ficando apenas de saltos altos. Aproximou-se de Sara e encostou seus seios no corpo dela. Beijou-a na boca. Sara alisou os cabelos ruivos da parceira, tocou seus braços. Sentiu como estava gélida. Alisou suas omoplatas e desceu as mãos aos poucos.
Logo estavam no sofá, emboladas uma na outra. Esmeralda estava descontrolando-se, queria mordê-la, queria banhar-se no sangue daquele corpo quente. Mas não ia adiantar seu plano e perder a chance de torturá-la.
- Eu... Preciso tomar algo. – Esmeralda falou de repente. Sara ofegava. Estava só de vestido e assentiu com a cabeça.
Esmeralda voltou com duas taças de cristal cheias de vinho.
- À luxúria – propôs.
Brindaram.
Sara aninhou-se no colo da amante. Era tarde. Tinha se cansado – isso explicava o sono... Tinha que explicar...
Dormiu nos braços de Esmeralda.
***
Sara acordou numa sala escura, com as coxas encharcadas e demorou um pouco para perceber o que estava acontecendo. Ainda estava tonta.
Acordou aos poucos, e concluiu que estava no porão da casa. Tinha os pulsos presos em correntes que vinham do teto e tinham quinze centímetros de comprimento. Seus braços estavam sendo puxados para cima e suas pernas para baixo, com correntes que vinham do chão. Seu vestido estava quase caindo. Tinha uma coleira na base do pescoço.
Ouviu a voz de Esmeralda.
- Olhem só quem acordou.
Sara percebeu que o quarto estava completamente enevoado. Entrou em pânico: não sentia os braços, estava com dificuldade para respirar, não sabia muito bem onde estava e Esmeralda tinha sumido. A névoa não a deixava reparar no ambiente.
Engasgou-se com a própria saliva. A coleira não estava letalmente apertada, mas não facilitava a deglutição ou a respiração.
Esperou em torno de quinze minutos até alguém aparecer. A névoa sumiu e Esmeralda brotou no meio da sala.
- Foi delicioso observar sua dificuldade de engolir... Ver seu vestido caindo aos poucos, mas não totalmente, assistir ao seu pânico. Você não faz a menor idéia do que está acontecendo, não é?
Sara murmurou. Não conseguia falar alto.
- Não, não faço. Isso na sua boca é sangue?
- Bom, Sara, você adormeceu pelas últimas três horas. Fui fazer um lanchinho. Claro que o sangue de veados não deve ser tão apetitoso quanto o seu, mas...
- Você me deixou aqui por três horas?
- Claro. Graças a você, tenho a eternidade inteira.
- Não estou entendendo.
- Vou ilustrar para você, então.
“Itália, século XV. Eu fazia parte da família mais rica de Verona. Os LaPaglia tinham todo o poder econômico que você pode imaginar e, conseqüentemente, uma enorme fortuna. Eu, meus pais e meu irmão tínhamos uma harmoniosa vida, regada a banquetes, bailes e uma notável cumplicidade entre os quatro”.
Vendo que Sara estava engasgada e que desmaiaria se continuasse com a coleira, Esmeralda parou sua história e tirou-a do pescoço da mulher.
“Então você chegou. Você seduziu Pablo, meu irmão. Filha de um ferreiro, órfã de mãe e batizada de Vitória. Casou-se com ele. Ele lhe deu tudo: status, riqueza, um casarão, amor e um filho que você batizou de Pietro.
Insatisfeita, você ateou fogo na casa que meu irmão te deu. E escolheu fazer isso bem no dia em que eu estava assistindo tudo! Vi você atirar a tocha. Você o matou. Matou seu próprio filho. Recebeu sua herança e fugiu para outro canto do mundo. Na época, eu tinha apenas doze anos, e ninguém me ouvia. Nem ouviria, se eu tivesse tentado te denunciar.
Minha família desmoronou. Outros familiares mais distantes começaram a ser acusados por homicídio culposo. Começaram a nos ver como um bando de assassinos. Perdemos tudo: pararam de comerciar conosco, ficamos deprimidos com a morte de Pablo. Acabou toda a nossa felicidade. Jurei vingança. Muitos anos depois, convoquei os demônios, prometendo te matar nem que isso demorasse uma eternidade.
Lilith apareceu. Dominou meu corpo, minha mente e tomou minha alma. Transformou-me em vampira com a condição de que eu me tornasse sua escrava. Prometeu-me que a vida na qual eu te encontrasse seria sua última. Agradeci a ela. Uni-me às trevas. Procurei você durante séculos. Você reencarnou em Sara, depois de todo esse tempo. Te seduzi, provoquei e agora você está com o corpo dormente no meu porão. E não sairá daqui”.
Sara estava em pânico. A história toda lhe parecia absurdamente familiar. Sempre se sentira enjoada com fogo. Essa seria uma explicação plausível para isso. Não conseguia falar. O medo invadia sua garganta. Já não sentia os braços há muito tempo e percebeu um imenso cansaço nas pernas. Sentia-se tonta e suja. A mulher que antes trocava carícias com ela havia se transformado em um enorme pesadelo... Ela estava feroz. Agressiva. E, principalmente, estava faminta.
Sara aceitou seu destino.
Esmeralda começou a cortar o vestido de Sara. Deixou-a nua. Unhou sua pele, a fez sangrar. Com um punhal, foi perfurando seu corpo.
Sara estava viva e consciente. Berrava de dor. As lágrimas invadiram seus olhos. Os cortes eram fundos, ardiam mais do que ela poderia suportar. Pensou imbecilmente numa possível infecção. E ainda estava indefesa, com as mãos e as pernas presas. Não conseguia parar de berrar, até que a vampira amassou a própria calcinha e enfiou na boca de Sara. Ela começou a sufocar.
Esmeralda lambeu seu corpo inteiro. Sara sentiu todos os órgãos externos banhados em sangue e aquela língua feroz embebedando-se com a pele dela. Agarrou o punhal de novo. Sara achou que ia continuar a ser mutilada.
- Oh, querida, mas é claro que não vou te matar com os mil cortes.
Deixou o punhal cair no chão e abocanhou o pescoço de Sara. Ela deu seu último suspiro. Esmeralda tirou todo seu sangue, não havia mais vitalidade naquele corpo da mulher de olhos grandes.
Satisfeita, Esmeralda transformou-se em morcego e foi embora da casa que já não lhe servia mais. Voou.
Era noite de lua cheia.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Dormiram juntos
O texto a seguir contém referências explícitas ao livro “Gone”, de Michael Grant. A sinopse do livro contribuirá bastante para o seu entendimento. Por favor, não deixe de lê-la:
“De repente, sem aviso algum, todos os adultos e jovens com mais de 15 anos somem, e lá se foram todas as pessoas responsáveis pela ordem de uma cidade inteira (hospitais, lanchonetes, creches, limpeza...), e um tipo de cúpula inquebrável aparece em volta dessa cidade deixando todos os menores de 15 anos trancados sozinhos neste lugar que viria a ser chamado de “LGAR” ou Lugar da Galera da Área Radioativa.”
Dormiram juntos. E ela não queria soltá-lo nunca, principalmente em meio àquele mundo que não parecia real; onde a única coisa que a fazia perceber que as coisas realmente existiam e que as ações tinham conseqüências era o seu namorado.
Ela acordou mais tarde que o habitual. Mas era domingo, então era permitido. Tentou agarrar-se a ele, mas viu que ele tinha sumido. Frustrou-se. Os olhos encheram-se das lágrimas. Ficou incrédula... Como ele pôde ter fugido no meio da noite? Sabia que ela estava carente. Frustrou-se mais ainda ao pensar nisso.
Levantou e foi até a varanda. Deitou-se na rede. Ficou olhando para o céu, ouvindo uma música qualquer; “It’s The End Of The World As We Know It”.
Foi até a cozinha para deparar-se com uma das cenas mais apavorantes da sua vida: a xícara da sua mãe quebrada, os cacos de vidro espalhados pelo chão e uma poça de café derramada na cozinha.
Ouviu seu irmãozinho, ainda com voz sonolenta, gritar pela mãe incessantemente.
Pegou-o no colo, os dois trocaram de roupa e foram até o lado de fora da casa.
- Por que todos os carros estão parados? – indagou o menino.
E ela simplesmente não sabia o que responder.
Encontrou outras pessoas pela rua. Todas da idade dela – menores de quinze anos chamando pelos pais desesperadamente.
Todas as pessoas mais velhas haviam sumido.
Ela quis dormir e acordar em outra dimensão (ou talvez dormir e não acordar), mas sabia que não poderia fazer isso. Tinha responsabilidades. Seu irmão dependia dela, agora.
Sejam bem-vindos ao LGAR.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Você
Você.
É por isso, e só por isso, que continuo viva.
Com as nossas expectativas de quando você vier para Brasília, e aí sim poderemos visitar a Catedral, apontar os anjos e trocar beijos dentro dela. Seremos abençoados.
Porque tenho muita vontade de tirar novas fotos com você – fotos que você gosta, fotos que você não gosta, fotos que nós dois gostamos e pensamos em mostrar para o mundo, com muito amor, para que todos aqueles que nos apoiaram vejam como estamos felizes.
Estou viva por sua causa, porque quero chegar em casa e conversar com você, escutar a sua voz, escutar suas piadas sem graça, ouvir você me contando como seu colega de trabalho não vale nem um centavo. Te ajudar a achar um novo desenho para você tatuar na sua pele, que tanto venero, e que, todas as noites, anseio beijar.
Estou viva porque você apareceu, e me salvou.
E em todas as vezes nas quais mantive aquela velha reflexão de Camus, parei e pensei em você. E em como você ficaria decepcionado se eu desistisse da gente logo agora...
É por isso, e só por isso, que continuo viva.
Com as nossas expectativas de quando você vier para Brasília, e aí sim poderemos visitar a Catedral, apontar os anjos e trocar beijos dentro dela. Seremos abençoados.
Porque tenho muita vontade de tirar novas fotos com você – fotos que você gosta, fotos que você não gosta, fotos que nós dois gostamos e pensamos em mostrar para o mundo, com muito amor, para que todos aqueles que nos apoiaram vejam como estamos felizes.
Estou viva por sua causa, porque quero chegar em casa e conversar com você, escutar a sua voz, escutar suas piadas sem graça, ouvir você me contando como seu colega de trabalho não vale nem um centavo. Te ajudar a achar um novo desenho para você tatuar na sua pele, que tanto venero, e que, todas as noites, anseio beijar.
Estou viva porque você apareceu, e me salvou.
E em todas as vezes nas quais mantive aquela velha reflexão de Camus, parei e pensei em você. E em como você ficaria decepcionado se eu desistisse da gente logo agora...
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Cabeça
O que mais gosto na gente, meu amor, é como conseguimos (e tão intensamente) ser poesia, que se envolve na mais bela de todas as melodias e, ao mesmo tempo, se propaga em todas as direções.
Gosto do jeito que a tempestade alaga A Cidade, enquanto apreciamos a beleza do espetáculo, gota por gota.
Gosto do jeito que você sorri abertamente quando te ligo e, mais que tudo, da sua voz de sono, que tantas vezes confundi com voz de outras coisas.
Construímos, juntos, atores, cenários e marcações. Fizemos um terreno, delimitamos nosso território e, juntos, aprendemos a nos impor e a nos expor um para o outro e, aos poucos, para o mundo.
E brigamos, fizemos as pazes, aprendemos a superar e a lidar com os ciúmes, passamos mais de dez mil minutos falando absurdos, trocando juras e rindo quando combinamos de desligar juntos e não desligamos o telefone.
É assim o amor.
E, enquanto ainda formos poesia, melodia ou harmonia, assim será.
Será para sempre.
E, ao fim da tua eternidade (e digo tua porque fatos são fatos), terá sido eterno enquanto foi.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Arcano sem-número
Algumas achavam que ele era um bobo da corte, sempre pronto para debochar de quem passasse. Outros, por sua vez, achavam – e mais corretamente – que ele era só um louco. Louco. Mas eles não reparavam que, justamente por ser louco, esse tipo tinha uma visão ampla da realidade.
Ele chegou, trôpego porém estranhamente compenetrado. A vila toda, uma espécie de Vaticano com cinqüenta habitantes, fingiu não tê-lo visto, por mais que ele chamasse a atenção de todos com seus olhinhos pequenos, os óculos espalhafatosos e os sinos pendurados na roupa.
Subiu no banco e pôs-se a gritar:
- Oh, moças que têm ódio no coração! Busquem o amor, sempre!
As tais moças pararam para ouvi-lo por um instante.
- O ódio é transgressão, caras! Pensem também que se alguém lhes causa tais sentimentos, é porque vocês permitiram.
O Louco lacrimejava, como se achasse a situação inaceitável. Já a platéia de donzelas estava estática, como se tivessem absorvido a idéia. Estavam chocadas, mas não felizes.
Num salto, o Louco pôs-se a pensar. Continuou seu monólogo, por mais que tivesse notado a reação da platéia.
- O que mais me intriga é o ódio pelos homens honestos. Ora, afinal, são homens honestos! Não enganaram a vocês, em momento algum. Se hoje estão com outra pessoa, é porque nunca lhe prometeram nada. Se hoje estão com outra pessoa é por questão de afinidade! Sejam altruístas, desejem-lhes luz e amor, e depois superem a perda. E fiquem tranqüilas, porque, como me disse uma senhora de olhos puxados e pulseiras de Bangladesh, as pedras se encontram. Para quê nutrir tal sentimento como ódio por alguém que teve papel especial e lisonjeiro em suas vidas, ou para quê nutrir ódio de uma criança, simplesmente?
O Louco ria, agora.
- É mais do que fácil abster-se da culpa pela própria entrega e vulnerabilidade, não é? Só não é mais fácil que iludir-se, achando que iria curá-lo de outra pessoa, ou achando que viria a partilhar uma eternidade com o Homem Honesto que, com tremenda sinceridade, sempre deixou claro que não seria o caso!
A platéia, agora, borbulhava de raiva. Havia sido forçada a encarar a realidade, mas pôr um pano sobre os olhos era tão mais simples...
- Cegas! Todas cegas! – exclamou o Louco.
E, do mesmo jeito que entrou, saiu. Cantarolava:
- “Eu sou rapaz direito, fui escolhido pela menina mais bonita”...
domingo, 7 de novembro de 2010
Indo para o banho, tirou a roupa, fechou os olhos e prendeu a respiração. Não queria olhar pra baixo - olhar pra baixo lhe dava dimensão do tamanho da queda, e ela sempre teve medo de altura.
Entrou no banho, esperou até a água escaldante cair-lhe sobre os cabelos e tudo evaporou junto com o líquido. Brincou com o sabonete em suas mãos, até que visse espuma branca e soprasse bolhas.
Afinal, o que seria de um peixe sem aquelas sessões de meia hora dentro daquele cubículo abafado?
Entrou no banho, esperou até a água escaldante cair-lhe sobre os cabelos e tudo evaporou junto com o líquido. Brincou com o sabonete em suas mãos, até que visse espuma branca e soprasse bolhas.
Afinal, o que seria de um peixe sem aquelas sessões de meia hora dentro daquele cubículo abafado?
terça-feira, 2 de novembro de 2010
"Vou te ensinar um pouco mais sobre o zodíaco.
O primeiro signo é áries". E acariciou-lhe o rosto e os cabelos.
"Depois, vemos touro." Beijou-lhe a boca e mordeu-lhe o pescoço.
"Em terceiro, gêmeos". Segurou-lhe as mãos com força, com tanta força que achava que nunca mais conseguiria soltar.
"Câncer." Soltou uma das mãos do rapaz e acariciou-lhe o peito.
"Leão". Massageou suas costas por alguns segundos.
"Virgem". Alisou sua barriga com um sorriso de orelha a orelha, como que se fosse uma oração para que seu intestino fizesse corretamente o trabalho de filtrar somente as coisas boas para o corpo dele.
"Libra". Descansou as mãos sobre a região lombar dele.
"Escorpião". Muito de leve, roçou os dedos no centro do corpo amando.
"Sagitário". Apertou-lhe as coxas, com um sorriso travesso.
"Capricórnio". Ela, agora, estava agachada. Mordia-lhe os joelhos.
"Aquário". Segurou suas pernas com muita força.
O primeiro signo é áries". E acariciou-lhe o rosto e os cabelos.
"Depois, vemos touro." Beijou-lhe a boca e mordeu-lhe o pescoço.
"Em terceiro, gêmeos". Segurou-lhe as mãos com força, com tanta força que achava que nunca mais conseguiria soltar.
"Câncer." Soltou uma das mãos do rapaz e acariciou-lhe o peito.
"Leão". Massageou suas costas por alguns segundos.
"Virgem". Alisou sua barriga com um sorriso de orelha a orelha, como que se fosse uma oração para que seu intestino fizesse corretamente o trabalho de filtrar somente as coisas boas para o corpo dele.
"Libra". Descansou as mãos sobre a região lombar dele.
"Escorpião". Muito de leve, roçou os dedos no centro do corpo amando.
"Sagitário". Apertou-lhe as coxas, com um sorriso travesso.
"Capricórnio". Ela, agora, estava agachada. Mordia-lhe os joelhos.
"Aquário". Segurou suas pernas com muita força.
"E, por fim, peixes".
Terminou a noite beijando-lhe os pés.
Terminou a noite beijando-lhe os pés.
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