terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dormiram juntos

O texto a seguir contém referências explícitas ao livro “Gone”, de Michael Grant. A sinopse do livro contribuirá bastante para o seu entendimento. Por favor, não deixe de lê-la:


“De repente, sem aviso algum, todos os adultos e jovens com mais de 15 anos somem, e lá se foram todas as pessoas responsáveis pela ordem de uma cidade inteira (hospitais, lanchonetes, creches, limpeza...), e um tipo de cúpula inquebrável aparece em volta dessa cidade deixando todos os menores de 15 anos trancados sozinhos neste lugar que viria a ser chamado de “LGAR” ou Lugar da Galera da Área Radioativa.”




Dormiram juntos. E ela não queria soltá-lo nunca, principalmente em meio àquele mundo que não parecia real; onde a única coisa que a fazia perceber que as coisas realmente existiam e que as ações tinham conseqüências era o seu namorado.
Ela acordou mais tarde que o habitual. Mas era domingo, então era permitido. Tentou agarrar-se a ele, mas viu que ele tinha sumido. Frustrou-se. Os olhos encheram-se das lágrimas. Ficou incrédula... Como ele pôde ter fugido no meio da noite? Sabia que ela estava carente. Frustrou-se mais ainda ao pensar nisso.
Levantou e foi até a varanda. Deitou-se na rede. Ficou olhando para o céu, ouvindo uma música qualquer; “It’s The End Of The World As We Know It”.
Foi até a cozinha para deparar-se com uma das cenas mais apavorantes da sua vida: a xícara da sua mãe quebrada, os cacos de vidro espalhados pelo chão e uma poça de café derramada na cozinha.
Ouviu seu irmãozinho, ainda com voz sonolenta, gritar pela mãe incessantemente.
Pegou-o no colo, os dois trocaram de roupa e foram até o lado de fora da casa.
- Por que todos os carros estão parados? – indagou o menino.
E ela simplesmente não sabia o que responder.
Encontrou outras pessoas pela rua. Todas da idade dela – menores de quinze anos chamando pelos pais desesperadamente.
Todas as pessoas mais velhas haviam sumido.


Ela quis dormir e acordar em outra dimensão (ou talvez dormir e não acordar), mas sabia que não poderia fazer isso. Tinha responsabilidades. Seu irmão dependia dela, agora.


Sejam bem-vindos ao LGAR.

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