A pressa me consome de dento pra fora. Aguardo ansiosa pelo dia em que definharei de vez, cansada de esperar, de olhos fundos e inchados, e cairei dura e morta no chão. Não me sinto abrigada porque ninguém conhece a dor de esperar por toda a eternidade por algo que não vem. Eu queria um problema grande, diferente, qualquer um.
qualquer coisa pra tirar minha cabeça de você
terça-feira, 27 de agosto de 2013
terça-feira, 6 de agosto de 2013
vamos?
Era noite qualquer -- preenchia meus vazios de forma etílica. Transpirava e enxergava tal como bebi.
E você veio, de músculos discretos e olhos incríveis, aqueles seus olhos incrivelmente azuis. Saiu comigo de braços dados, flanando pelas ruas. Você me levou a mil lugares: ao banheiro, à escada e ao paraíso.
Desatados das amarras do superego, somos puro id - ids puros, movidos pelo princípio do prazer, instinto e libido.
Sua boca no meu pescoço, seus dedos entrelaçando meus cabelos, você apoiando firmemente as duas mãos nos meus ombros. Me faz elogios bonitos, eleva minha estima, me enlouquece. Me morde, me arranha, me molha; não pensar me faz quase tão bem quanto te faz -- encantado por não estar racionalizando, você deixa as coisas fluírem na maior naturalidade (socialmente?) permitida.
Por fim, quem racionalizou fui eu. Como a Cinderela depois das doze badaladas, tive que ir embora correndo. Você me encaminha para a minha abóbora, guiada por um cocheiro para lá de idoso, não sem antes rir de mim e se despedir sem intimidade.
Por fim, deixei contigo minha vontade de repetir no formato de um sapatinho de cristal.
Devolva-me
E você veio, de músculos discretos e olhos incríveis, aqueles seus olhos incrivelmente azuis. Saiu comigo de braços dados, flanando pelas ruas. Você me levou a mil lugares: ao banheiro, à escada e ao paraíso.
Desatados das amarras do superego, somos puro id - ids puros, movidos pelo princípio do prazer, instinto e libido.
Sua boca no meu pescoço, seus dedos entrelaçando meus cabelos, você apoiando firmemente as duas mãos nos meus ombros. Me faz elogios bonitos, eleva minha estima, me enlouquece. Me morde, me arranha, me molha; não pensar me faz quase tão bem quanto te faz -- encantado por não estar racionalizando, você deixa as coisas fluírem na maior naturalidade (socialmente?) permitida.
Por fim, quem racionalizou fui eu. Como a Cinderela depois das doze badaladas, tive que ir embora correndo. Você me encaminha para a minha abóbora, guiada por um cocheiro para lá de idoso, não sem antes rir de mim e se despedir sem intimidade.
Por fim, deixei contigo minha vontade de repetir no formato de um sapatinho de cristal.
Devolva-me
quarta-feira, 17 de julho de 2013
insônia
Acordo, levanto, tiro o celular da tomada: 03h52, em ponto. Frustrada, viro, reviro, mexo, remexo, mudo de posição na cama. Troco o travesseiro de lado, pedindo que Morfeu me possua. Nada acontece: definitivamente, acordei -- o Sol ainda não, mas eu sim.
Levanto.
- Mãe, tô entediada.
- Eu também.
- Tô acordada desde às 4h da manhã.
- Eu também.
- Acho que é um sinal do Universo quando nossa insônia sincroniza, mainha.
- Eu também.
Pego os fones de ouvido. Beatles. "Muito criativo e surpreendente", você pensa.
Faço café. Se não consigo dormir, ao menos desperto de vez.
(Mas não funciona, porque eu sou resistente à cafeína e já sabia disso quando coloquei a água no fogo)
Eita, caralho.
Definitivamente, desaprendi a escrever
Levanto.
- Mãe, tô entediada.
- Eu também.
- Tô acordada desde às 4h da manhã.
- Eu também.
- Acho que é um sinal do Universo quando nossa insônia sincroniza, mainha.
- Eu também.
Pego os fones de ouvido. Beatles. "Muito criativo e surpreendente", você pensa.
Faço café. Se não consigo dormir, ao menos desperto de vez.
(Mas não funciona, porque eu sou resistente à cafeína e já sabia disso quando coloquei a água no fogo)
Eita, caralho.
Definitivamente, desaprendi a escrever
segunda-feira, 24 de junho de 2013
fragmento
quinta-feira, 20 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
Diversão sinestésica
O ensaísta Tales Ab'Sáber é articulado ao caracterizar o universo das baladas frequentadas por jovens nos dias atuais. No entanto, é pouco minucioso e comete equívocos ao falar, por exemplo, de uniformidade cultural - inexistente no Brasil e no mundo.
Uma balada pode ser descrita como desde um ambiente fechado e equipado no centro de Buenos Aires até como um baile funk situado na favela da Rocinha, frequentados por grupos sociais distintos, se não opostos. Esses grupos diversificados e abrangentes vão à balada porque ela cumpre muito bem o que se propõe a fazer: festa.
Ab'Saber está certo em classificar as boates como dispositivos para a gestão do prazer, mas se equivoca ao tentar racionalizar os motivos que as fazem ser frequentadas. Buscar festejos e prazer são atos intrínsecos à natureza humana (e avistados desde as celebrações mitológicas feitas por Baco), e não apenas associados à propaganda.
O ensaísta não poderia estar mais enganado ao dizer que a música perdeu a importância em detrimento da pirotecnia. A tecnologia nos permitiu fazer um espetáculo sensorial que agrega sensações táteis à visão e à audição musical.
As baladas, portanto, configuram um universo de entretenimento sinestésico, bastante atraente para os jovens na atualidade.
sábado, 18 de maio de 2013
código de barras
O bolo não é meu e nunca foi; fico triste por ter tido tanta vontade de comê-lo e nenhuma oportunidade. É triste que as coisas sejam assim, todas com prazo de validade. É importante, também, que eu me lembre que não devo comer nada vencido para não ter dor de barriga depois. Claro que às vezes a gente se engana e pega algo que estava na geladeira há anos, mas esse tipo de ação configura um erro - e a gente cresce para parar de errar, ou pelo menos para cometer erros mais sofisticados.
Então foi isso: um dia, abri a geladeira e vi que uma gata verde já tinha comido o meu bolo. Na verdade, não teve essa importância toda; só foi frustrante. Peguei os ovos e os arremessei na parede. Indescritível prazer que senti ao ver as gemas amarelas escorrendo pela tinta branca e ao sentir o cheiro fétido de ovos crus invadindo a cozinha. Enquanto atirava os doze ovos, um a um, pensava nos versos tórridos de Gregório de Matos, alternando com os doces Segredos guardados por Casimiro de Abreu, sentindo falta da alegre Ciranda de Drummond. Por fim, os ovos jaziam estilhaçados no piso azulejado da cozinha - eu também jazia, estilhaçada dentro de mim, exausta porém feliz.
Têm erros que temos de cometer só para termos a certeza confirmativa de que são erros. Minha vontade deste bolo, creio, foi uma delas.
Não há nada mais a fazer além de me conformar e comer um biscoito.
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