domingo, 22 de setembro de 2013

diálogos V


- Por que você é tão quietinha?
- Eu observo muito... E estou cansada. - Cansada de que? - Fazendo cursinho três vezes por semana, estudando, e emocionalmente cansada. - Emocionalmente cansada? Você está triste? - Hummm. Não. - Frustrada? - Isso. - Com homens? - Sim. - Mulheres? - Não, as mulheres não me frustram. - Você me acha atraente? - Sim. - Você tem namorado? - Não. - Você me beijaria? - Sim. - Existe algum motivo para você não me beijar? - Não.

(...)
- Só não vou fazer isso agora porque estou dirigindo. Você espera? - Eu acho que aguento.

domingo, 15 de setembro de 2013

diálogos IV

- Acho que vou virar fumante, mesmo. Passar a comprar meus próprios maços e tal.
- Mas por quê? Não faz isso, não.
- Ah, porque eu tenho esse sentimento dentro de mim que me dá vontade de fumar.
- Eu também tenho. Chama-se tabagismo.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

fragmento

A pressa me consome de dento pra fora. Aguardo ansiosa pelo dia em que definharei de vez, cansada de esperar, de olhos fundos e inchados, e cairei dura e morta no chão. Não me sinto abrigada porque ninguém conhece a dor de esperar por toda a eternidade por algo que não vem. Eu queria um problema grande, diferente, qualquer um.

 qualquer coisa pra tirar minha cabeça de você

terça-feira, 6 de agosto de 2013

vamos?

Era noite qualquer -- preenchia meus vazios de forma etílica. Transpirava e enxergava tal como bebi.

E você veio, de músculos discretos e olhos incríveis, aqueles seus olhos incrivelmente azuis. Saiu comigo de braços dados, flanando pelas ruas. Você me levou a mil lugares: ao banheiro, à escada e ao paraíso.

Desatados das amarras do superego, somos puro id - ids puros, movidos pelo princípio do prazer, instinto e libido.

Sua boca no meu pescoço, seus dedos entrelaçando meus cabelos, você apoiando firmemente as duas mãos nos meus ombros. Me faz elogios bonitos, eleva minha estima, me enlouquece. Me morde, me arranha, me molha; não pensar me faz quase tão bem quanto te faz -- encantado por não estar racionalizando, você deixa as coisas fluírem na maior naturalidade (socialmente?) permitida.

Por fim, quem racionalizou fui eu. Como a Cinderela depois das doze badaladas, tive que ir embora correndo. Você me encaminha para a minha abóbora, guiada por um cocheiro para lá de idoso, não sem antes rir de mim e se despedir sem intimidade.

Por fim, deixei contigo minha vontade de repetir no formato de um sapatinho de cristal.

Devolva-me

quarta-feira, 17 de julho de 2013

insônia

Acordo, levanto, tiro o celular da tomada: 03h52, em ponto. Frustrada, viro, reviro, mexo, remexo, mudo de posição na cama. Troco o travesseiro de lado, pedindo que Morfeu me possua. Nada acontece: definitivamente, acordei -- o Sol ainda não, mas eu sim.

Levanto.

- Mãe, tô entediada.
- Eu também.
- Tô acordada desde às 4h da manhã.
- Eu também.
- Acho que é um sinal do Universo quando nossa insônia sincroniza, mainha.
- Eu também.

Pego os fones de ouvido. Beatles. "Muito criativo e surpreendente", você pensa.
Faço café. Se não consigo dormir, ao menos desperto de vez.

(Mas não funciona, porque eu sou resistente à cafeína e já sabia disso quando coloquei a água no fogo)

Eita, caralho.

Definitivamente, desaprendi a escrever

segunda-feira, 24 de junho de 2013

fragmento

Todo bom candango ou boa candaga sabe: não chove em junho. Faz um frio desgramado, o céu acinzenta de ameaça - mas chover, mesmo, não chove. Nem água do céu cai em forma de chuvisco.

Junho é sempre assim: meu eterno chove, mas não molha.