Por essas e outras, acho que todas as relações que você me determina são um tanto quanto frígidas. Claro que dizer que "todas" é uma grande hipérbole, e que às vezes você me proporciona amigos de verdade. Mas, na maioria das vezes, estou rodeada por pessoas que negligenciam os meus sentimentos e conflitos; outras tantas me oferecem a frieza da pele, e apenas a frieza da pele, o que me deixa murcha como os ipês na seca.
Tenho certeza de que todos nós somos sertanejos nesse sertão árido e torto, e que a minha localização geográfica não é diretamente ligada à minha felicidade. Mas sinto que se eu fosse embora para algum lugar ensolarado, com samba todos os dias e cheiro de mar-areia-e-vento, eu seria mais feliz. Algo dentro de mim diz que o Rio é a minha terceira margem; mas sei que não. Eu poderia me contentar em um cruzamento entre o Paraíso e a Liberdade, ou talvez me perder entre os botecos do bairro da Savassi. Acho que me perder vai ser uma ótima forma de me encontrar.
Sou mulher o suficiente para sair daqui de dentro para buscar... Buscar o quê? A felicidade, talvez, ou dias mais alegres, com mais música, dança e cantoria. Buscar o novo, o desconhecido, cair de cabeça e mergulhar de vez.
Quero ter minha hora e minha vez, também.
não se trata de entender o ovo, mas de apreciá-lo e senti-lo
