Helter Skelter andava de maneira suicida pelas ruas, sem respeitar o sinal que marcava verde para os carros. Helter fumava um cigarro e achava graça quando via a fumaça envolvendo suas duas tatuagens visíveis. A terceira só seria vista pelo plebeu sortudo que conseguisse despi-la.
A Senhorita Skelter tinha um poder de persuasão tão enorme que, enquanto percorria a rua, nenhum carro businou para tirá-la do caminho. Helter Skelter fazia os carros desviarem dela, e o fazia porque sabia que ninguém ousaria atropelar tão formosa moça.
Duas horas a partir de agora, e ela estaria no ônibus, encarando de volta os passageiros que a olhavam, maravilhados.
Dez horas a partir de agora, e ela chegaria n'A Cidade.
Onze horas a partir de agora, e ela jogaria seu inimigo no chão.
Doze horas a partir de agora, e se sujariam fazendo arte.
Treze horas a partir de agora, e ela lavaria as mãos dele sob a água fria na torneira enferrujada.
Quatorze horas a partir de agora, e ele olharia bem para a pimenta malagueta que ela tatuara na virilha.
Vinte e quatro horas a partir de agora, e ela entraria em um ônibus que a levaria para fora d'A Cidade.
Vinte e quatro horas a partir de agora, e o pranto dele estaria tão limpo e tão claro quanto as unhas de Helter Skelter.
{Para Rodrigo Correia}.
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