quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Orla

            De mãos dadas com ela na praia, ele chorava. Ela, aflita e sem saber o que falar, jogou-se nos braços dele e enxugou-lhe as lágrimas.
            As primeiras palavras foram dele:
            - Você vai encontrar alguém mais legal e menos chato e ciumento do que eu.
            - Não vou, porque essa pessoa não existe.
           - Existe, sim.
            - Mas foi você que eu escolhi. Não quero mais ninguém.
            - Eu não quero que você canse de mim. E você já está cansando.
            - Não estou. “Eu te amo sempre e para sempre”, lembra?
            Ele estava parando de chorar.
            - Ei, amor, eu gosto de você. Só de você, para sempre, se você quiser.
            - Eu vou parar de ser assim.
            - Não, você não vai. É assim o cara pelo qual eu me apaixonei, e você não vai, quer e nem consegue mudar a sua essência. Não fica mais assim; promete?
            - Prometo.
            - Acredita em mim?
            - Acredito.
            Mas ela sabia que não seria assim. Ele teria suas crises de novo, assim como ela. Ela teria de consolá-lo e cuidar dele mais vezes, e dizer-lhe que estava tudo bem. Sorriu ao pensar nisso – sentiu-se súbita e inexplicavelmente feliz ao pensar nas coisas dessa forma. Seria ele, o cara que ela escolheu, com ela – sempre.
            Era assim o amor.

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