Estavam na varanda da casa dela. O lugar, que tinha um lindo ar vitoriano, dava espaço para uma mesa de jantar – em cima, a toalha de rendas brancas, uma garrafa de vinho tinto, duas taças de cristal e um candelabro verde-água. Dividiam um crepe salgado. A sobremesa era uma latinha de Altoids.
O celular de um dos dois tocava Esquadros, na voz da Adriana Calcanhotto misturada à de Renato Russo.
Não conseguiam parar de sorrir.
Ela, linda, de cabelos lisos, olhos de esmeralda e um vestidinho preto indefectível. Olhos esfumaçados de preto e lábios pintados de violeta.
Ele, com a calça xadrez cor de creme com madeira, a blusa branca sobreposta pela camisa preta de botões.
Devoraram-se com os olhos.
Bebericaram vinho.
Choveu e, entre risadas, ela mostrou os cabelos molhados e confessou que eram cacheados.
Viram-se obrigados a entrar na casa e a se beijarem a noite toda, até que suas bocas se cansassem.
Amaram-se durante toda a madrugada, rindo ao usar a chuva como pretexto.
É assim o amor.
(Para Rodrigo Correia.
Brasília, 11/07/2010)
P.S.: Me perdoa?
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