quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Skeletons

Gritando para o vazio, desamparada, chorosa, descabelada.
Me pega, me cuida, me põe no colo, não deixa eu te convencer que estou bem, não me deixa sem explodir, não me deixa seca, fica comigo, dorme abraçado, enxugue minhas lágrimas, deixo até você lamber minha cara e meu queixo salgado se você ficar.
“Cuidado. Não seja devorado por sereias... O mar é terreno perigoso, vá somente até onde te der pé.”
Clique.
“Não estou legal, me leva pra casa?”

Berrando em silêncio com os olhos grandes e os cabelos curtos: “ME DÁ COLO, ME DÁ COLO, ESTOU CARENTE, SINTO SUA FALTA!”
A serenidade se foi, resta o signo do desespero.
“Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal por dezenove horas seguidas.”
“Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal por cinco horas seguidas.”

- Você vai me trocar pelo seu amigo inteligente.
- Ai, Deus... Não vou, já disse que não vou! Você é que vai achar uma mulher, uma mulher de verdade, e ainda por cima mais bonita e interessante.
Dois atores, em uníssono:
- Essa pessoa não existe. Eu amo só você, e para sempre.

Confusão, desamparo, carência.
Me exalta...

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