sexta-feira, 1 de junho de 2012

Uma carta

Brasília, 01 de junho de 2012

Cara senhora das águas,

venho por meio desta avisar-lhe que não lhe dei o direito de confundir minha cabeça e meu coração de tal forma. Veja bem, sou um pobre escritor sem esperança alguma na humanidade ou em seus indivíduos e costumo ser de tal simplicidade que às vezes penso que o maior presente que poderia dar a ti seria escrever sobre teus cabelos negros e macios ou sobre teu cheiro, que é o mais suave de todos.
Gostaria de saber também o que tens em mente de brincar com a minha doçura e fazer com que ela se transforme em raiva ou mágoa; veja bem, esses são sentimentos que costumo guardar por mais tempo que devia, e que me corroem e me fazem mal. Peço que não me deixe frustrado e que contenha sua insanidade e não deixe-a interferir nas nossas relações. Em um dia, queres minha amizade; no outro lhe estendo minha mão calejada de escrever e você me pede a boca.
Sou homem de bem e não pretendo me meter em confusões. Confesso que não entendo e nem tenho em mim a necessidade de entender, só peço para que você se decida e me noticie.

Com amor,

seu.

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