segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cumplicidade

Chego em casa de madrugada e entro no chuveiro para lavar seu cheiro e as lembranças dos passos descompassados que demos juntos da minha pele.
Deito-me na cama, cansada porém eufórica, e lembro da graça que você é por ter nascido com o terceiro signo no ascendente, fazendo tuas mãos inquietas circularem no ar. Tua voz sonolenta, semelhante à tua voz excitada, me provocando eterna e simplesmente. A água do chuveiro que cai enquanto você ouve e todos os gêmeos que fizeram parte de um trio na hora do amor.
Você acha que sou uma grande provocadora e que eu faria um homem crescido chorar num tobogã, mas não é verdade.
A espera do dezembro frio está me matando; anseio o momento em que vou fincar, novamente, minhas presas nos seus ombros.

Um dia é da caçadora, o outro também.

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