sábado, 31 de dezembro de 2011

O Surfista

A moça estava parada na extremidade da ponte, mas sua cabeça estava na lua. O lugar era bonito, ela sabia - era verde, tinha cheiro de praia, fazia sol e o vento bagunçava a juba escura da garota. Então o surfista passa e tudo muda. Ela finca os olhos verdes e intensos no mel do olhar do rapaz e as coisas viram de cabeça para baixo. Os "quem", "quando", "onde" e "por quês" inundam aquela mente despreocupada, tranqüila e que só buscava descanso e paz.
A mente volta ao seu retiro, alcança descanso e paz porque é isso que ela quer. O surfista se perde da vista dela e a troca de olhares é esquecida. Tem de ser. Mas não foi por completo, porque quando a garota foi se despedir do mar e o surfista a recebeu sorrindo, ela desmontou. E tudo vira de cabeça para baixo novamente. Uma prancha, os dois sentados na areia, mãos dadas, sorriso e vontade.
Na pseudo-ilha-quase-deserta, a garota sentiu os cabelos louros dele se emaranhando nos dedos dela e as costas quentes e bronzeadas do sol sob sua mão. Ele não ria, era sério e compenetrado, mas falava bonito sobre o mar e sobre a liberdade que os aquarianos típicos - como ele - sempre anseiam.

E na madrugada seguinte, tomada pela insônia e pelo sorriso, ela acorda e descobre que ainda sente o gosto dele de sal, protetor solar e calor em sua própria boca.

- Se eu escrevesse para você, você leria?
- Claro. Por que não?
- Então tá.
- O texto está aí? Como eu vou ler?
- Eu te acho.

E a moça é de cumprir sua palavra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cuidado!