Minha cidade caótica fica mais alegre, mais verde, as flores desabrocham, as cigarras cantam em uníssono. Gosto quando chove e estendo as mãos até que elas fiquem encharcadas, gosto de ver meus cabelos molhados e pingando água quando estava sedenta por isso. A falta de umidade me faz mal, não gosto de sentir minha garganta, pele e meu nariz secos.
Me atrevo até a dizer que gosto de todos os tipos de chuva: gosto quando chuvisca, gosto quando cai um dilúvio. Quando a chuva nem é chuva de verdade e pingam gotas esporádicas na ponta do meu nariz, dou risada da provocação, apesar de preferir o alagamento. Quando é um dilúvio, a ideia de sair nadando por aí e me esbanjando na infinitude de água muito me agrada.
Posso passar horas divagando sobre a chuva, sobre como gosto dela, sobre como queria que ela fosse mais frequente, até então, finalmente, me lembrar que estamos em época de seca há três infinitos e infernais meses.