Rapaz desajeitado que sou, não sabia o que fazer com as mãos e me envergonhava do meu penteado tosco, molhado e feito de última hora. Acendo alguns cigarros e me preocupo com o gosto que vai ficar na minha boca, até relembrar que ela não é dessas frescuras.
Um dia simpático para se passar com a moça. Diálogos banais sobre chocolates, aulas e um brinco que não sai da orelha.
Não sei o que fazer e estou perdido. "Eu sou uma porra de uma passiva", penso, no auge da minha masculinidade.
Não sei o que fazer e estou perdido. "Eu sou uma porra de uma passiva", penso, no auge da minha masculinidade.
- Eu estou me sentindo mais à vontade com você, né? Ou é impressão minha?
- Está, sim. Você até está falando como se fosse um ser humano de verdade.
- Você quer dizer "um ser humano normal"?
- É. Também. Porque se você já é um ser humano, não tem como você ser um ser humano de mentira. Tipo o Pinóquio.
- É. Também. Porque se você já é um ser humano, não tem como você ser um ser humano de mentira. Tipo o Pinóquio.
- Ele era um menino de mentira porque ele era mentiroso.
Essa conversa nem faz sentido, meu Deus.
- Você ia me abraçar e eu não deixei.
- É, eu vi. E fiquei constrangido - digo para ela.
- É porque eu sei o que ia acontecer.
- Hm. E aí você não quer.
- A gente sempre acaba se enrolando.
- Na verdade, isso só aconteceu uma vez.
- É verdade.
- Mas olha, você quer. Do contrário, a gente não estaria nem falando sobre isso.
Ela me olha como se eu fosse retardado e não houvesse afirmação mais óbvia para ser feita.
- E eu também quero - continuo. - Isso significa que vai acabar acontecendo. Lembra quando você falou que a gente não consegue ficar longe do drama? É por isso.
Um beijo de saudade.
Eu a pego pela cintura.
- Seja bem-vindo de volta, drama.
Recomeçar.