quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Alguma coisa acontece no meu coração...

Uma chuva fina e riscada de branco começa a cair, sincronizada com seu último batimento cardíaco. Tomo a liberdade de interpretá-la como uma singela homenagem dos deuses que choram por nós, meros mortais, pontos finitos imersos na negritude desse universo.
O mundo perde um pouco do sentido - todos, abismados, correm para a janela e lá ficam, parados, arregalados, confusos, tentam entender o que acaba de acontecer, pensando se não é um telefone sem-fio, uma fofoca malfeita, um absurdo.
E acaba que é, sim, um absurdo. Um dos muitos absurdos da contemporaneidade, da efemeridade das coisas todas, as crueldades da vida e da morte - tudo que resulta em um lamúrio do lago, um suspiro dos céus ou um sussurro do plano.
Paradoxal dizer que o tempo engolirá a humanidade, as cidades cairão todas ao chão, os mares devorarão as calçadas e, mesmo assim, a lembrança das curvas e das silhuetas graciosas, continuará.

Só olhar pela janela, encarar o firmamento bem no fundo, e perceber o seu legado, seu talento, suas obras impecáveis, a criação da modernidade me abrigando, me engolindo, inteira ao meu redor.

E, a partir de agora, sempre que eu for à Catedral, me lembrarei de você e sentirei sua presença. Deve ser isso que chamam de magia.

Pela janela, o sempre expressivo céu de Brasília chora a sua perda.

Que dor é morar nesse avião agora...