domingo, 16 de dezembro de 2012

das urgências da vida

Vamos, vem depressa, tem que ser agora. Não sei se você vai entender a minha urgência, mas preciso que seja o mais rápido possível, que a gente não pense nem em certo ou errado, sei lá, muita burocracia e tradição cristã pro meu gosto, acho que a gente não devia ceder dos nossos desejos, né? Essa frase nem é minha, não, é do Lacan, mas não sei, acho que encaixa nessa situação toda. Quer dizer, a frase do Lacan é "não cedas do teu desejo", mas você entendeu, né, as adaptações todas. Eu sei que estou fugindo do assunto, e do que eu falava mesmo? Ah!, sim, da urgência, da necessidade, de não deixar escapar. Acho que pra mim tem que ser agora justamente pra não te deixar escapar, porque eu não vou conseguir aceitar se você mudar de ideia, então tenho que aproveitar que agora você quer. Para de falar que não vai mudar de ideia, você não tem bola de cristal, não sabe o que pode acontecer, ainda mais sendo volátil desse jeito de sabonete que você é, não posso perder a chance, não posso deixar escapar, tá tudo certo e nada pode dar errado. Eu não sei se é você por ser você, eu acho que quero porque o mundo acaba em cinco dias, não que quero porque é você. Se fosse outro eu estaria fazendo esse discurso do mesmo jeito, e peço desculpa pela falta de romantismo mesmo sabendo que você não vai se importar nem um pouco. É só que, rapaz, é um dos raros momentos da minha vida que eu me sinto segura, não arranja desculpa, já tá bom desse jeito, você tá me enrolando e isso sim que é pecado, lembra daquela frase do Renato Russo? Não foge de mim. Tá, você já disse que não vai. Pega minha mão e me leva antes que eu me sinta mal de novo. Por favor e obrigada. Eu não sei te explicar direito, tá? Não sei. Eu quero.

Mas eu tô com medo porque toda vez que eu verbalizo minhas vontades eu tomo no cu.