segunda-feira, 12 de julho de 2010

Hiperflexível

A garota loura entrou no picadeiro dando cambalhotas. A platéia aplaudiu a ilustre contorcionista.
Ela levantou-se de um salto e sorriu.
Pegou a caixa do tamanho de um microondas e a mostrou no alto. Todos ficaram boquiabertos – “não creio que ela consegue fazer isso!”.
Pôs a caixa no chão, saiu do palco por uns instantes para logo voltar fazendo bananeiras com as pernas sob os ombros.
Aplausos.
Rolou para dentro da caixa. Com as pernas cruzadas, os braços amarrados em si e o tronco inclinado para trás, fazendo-a parecer uma tábua esquisita, ela sumiu dentro da caixa.
Com a mesma facilidade com a qual entrou, saiu da caixa.
Pulando, foi exibir-se ao público. “Olhem como meu braço forma um ângulo de 360°! E como meus dedos encostam no dorso da minha mão. Vejam! – consigo fazer a ponta dos meus pés encostarem na cabeça! Agora, respeitável público, atenção. Vejam o que eu faço com os panos que saem do teto”.
Rapidamente enroscou-se no pano vermelho, parecendo um pequeno macaquinho. Pôs-se de cabeça para baixo em um pequeno movimento muscular. Colocou as mãos nas costas, cruzou as pernas – ramo de planta venenosa parasitando um vegetal saudável. Subiu até finalmente alcançar o topo da corda – demorou muito para pôr os pés no chão.
Contorcia-se.

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