sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Diálogo V

- Oi, bonita.
- Você cismou com esse nome.
- Vou te provocar até onde você conseguir aguentar.
- Bizarro. Você é idealizável.
- Você é minha bonita.
- Você é muito cara-de-pau.
- Eu escuto Pink Floyd pensando em você. E antes disso eu nem gostava de Pink Floyd.
- Não tem como não gostar de Pink Floyd.
- Tem. Eu detestava muito.
- Não detesta mais, certo? E a culpa é minha.
- O que você quer?
- Não sei.
- Você está carente que eu sei.
- Eu também sei.
- Me quer?
- Vem.
- Você fica me dando foras. Não sei se devia ir.
- Não fico te dando foras.
- O que você é, afinal?
- Não gosto de rótulos. Não sou nada. Estou, e odeio minha inconstância.
- Eu acho sua inconstância óbvia.
- Sim, por causa do meu ascendente em gêmeos.
- Isso.
- Você algum dia vai conseguir se apaixonar por alguém que não tenha nada em gêmeos?
Pausa.
- Não.

(Para J.I).

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