O mundo é mais bonito através das lentes: tem um ar envelhecido, desfocado, nostálgico. Acho que as lentes mostram o mundo como ele realmente é. Alternando minhas concepções do mundo entre incrivelmente belo e incrivelmente podre, sou dual como o ar. Hoje eu acordei com vontade de sorvete. Sorvete de creme ou baunilha, algo gelado e branco para manchar meus lábios enquanto dou risada de uma piada de humor negro.
Levanto e canto uma música de 1967 enquanto tomo banho, as gotas de água caindo na maior felicidade do chuveiro para o meu corpo. Escorrem. Respingam. São nove horas da manhã e já posso dar bom-dia para os vizinhos com a minha voz esganiçada. Às vezes, acho que sou o melhor despertador do mundo.
Saio de casa, ando, ando, ando, suo, ando, penso em depilar as pernas e em pintar o cabelo de verde e vejo que cheguei numa passeata com vários burgueses e filhinhos de papai exigindo 10% do PIB para a educação. Que merda, essas crianças não deviam estar na escola?
Vejo um mendigo dedilhando um violão. Tiro um maço de Marlboro do bolso e jogo um cigarro para ele. Ele põe na boca. Acendo para ele com um palito de fósforos. Resolvo que é melhor bater uma foto daquela passeata, registrar a hipocrisia desse mundo por trás das lentes analógicas de uma câmera empoeirada - por mais que eu ache que esse mundo é um lugar bem legal para se morar durante, em média, uns oitenta anos.
O mendigo me oferece o violão. Começo a tocar com a alma e o coração uma música que fala sobre algo como um cavalo negro e uma cerejeira. Me descabelo e suo. As cordas vocais doeriam se não fossem tão potentes.
Ele: Você está treinando para pegar as garotas?
Eu: Ou talvez eu só ache essa música bonita, já pensou nisso?
Ele: (sorri).
E daí percebo que, quando a pessoa mais incrível que conversei nos últimos meses é um mendigo, é porque esse mundo está muito fodido.
Levanto e canto uma música de 1967 enquanto tomo banho, as gotas de água caindo na maior felicidade do chuveiro para o meu corpo. Escorrem. Respingam. São nove horas da manhã e já posso dar bom-dia para os vizinhos com a minha voz esganiçada. Às vezes, acho que sou o melhor despertador do mundo.
Saio de casa, ando, ando, ando, suo, ando, penso em depilar as pernas e em pintar o cabelo de verde e vejo que cheguei numa passeata com vários burgueses e filhinhos de papai exigindo 10% do PIB para a educação. Que merda, essas crianças não deviam estar na escola?
Vejo um mendigo dedilhando um violão. Tiro um maço de Marlboro do bolso e jogo um cigarro para ele. Ele põe na boca. Acendo para ele com um palito de fósforos. Resolvo que é melhor bater uma foto daquela passeata, registrar a hipocrisia desse mundo por trás das lentes analógicas de uma câmera empoeirada - por mais que eu ache que esse mundo é um lugar bem legal para se morar durante, em média, uns oitenta anos.
O mendigo me oferece o violão. Começo a tocar com a alma e o coração uma música que fala sobre algo como um cavalo negro e uma cerejeira. Me descabelo e suo. As cordas vocais doeriam se não fossem tão potentes.
Ele: Você está treinando para pegar as garotas?
Eu: Ou talvez eu só ache essa música bonita, já pensou nisso?
Ele: (sorri).
E daí percebo que, quando a pessoa mais incrível que conversei nos últimos meses é um mendigo, é porque esse mundo está muito fodido.
Vc que escreveu?
ResponderExcluirAham =) Você é o mesmo anônimo do post passado? Posso te forçar a se revelar?
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