segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Para o vento, sobre o lírio

Mas afinal, vento, o que queres de mim? Não entendo por que tu tiras o lírio dos meus dedos e logo o trazes de volta. Já lhe contei, seu maldito punhado de ar, que acho justo com a minha pessoa que o lírio se junte a uma abelha e nunca mais me visite. Não vejo problema - sorte da abelha, creio eu. Mas os mesmos ventos que levam a flor para longe de mim a trazem de volta - ainda mais perfumada e mais elegante. E logo os ventos tiram o suave caule dos meus dedos e sinto que hei de perder o lírio de vista. Justo quando me conformo com a ausência das carnudas pétalas, ele surge no parapeito da janela roçando minha bochecha.
Caro vento, gostaria de entender, mas não entendo. Já concluí que não entender é combustível.
Concluo que é isso que o lírio provoca em mim: um grande incêndio, causado pelo álcool - o lírio por si só me embriaga - e o fogo, que sempre sobe quando tu, o vento, trazes a flor de volta para mim. E se esse incêndio é de carinho, amizade ou desejo já não sei, mas me importo o suficiente para descobrir, aturando as indas e vindas do lírio.



P.S.: Leio todos os comentários do blog. O anonimato é uma ferramenta que me enche de curiosidade e medo. Muito obrigada. Encorajo fortemente a se revelarem!

2 comentários:

  1. Que graça teria, pequenina?

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  2. medo do que, senhorita? haha
    pense nisso como admiradores secretos, huh?


    ps: em "padaço de chocolatecomentarios", esse padaço nao seria "pedaço"? lol

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