Há muito tempo atrás, em um reino distante, uma camponesa esperava. No início, ela esperava pelas visitas de seu amado. Ele vinha todos os dias depois do pôr-do-sol e Hilda o assistia com afinco e alegria; tinha nela grande amor aos cheiros e à vida, ao farfalhar do vento na grama, ao barulho de água. Achava que as coisas todas eram grandes simplesmente por serem. E, depois de se despedir do sol, Isaac aparecia e os dois iam para o estábulo. Conjuravam a palavra, o amor e o sono.
Até que um dia, Isaac parou de aparecer. Balbuciou algumas palavras, se deu ao trabalho de beijar Hilda na testa e não se viram mais.
Nos primeiros dias, ela fingiu estar bem. Continuava a buscar água do poço, a fiar a lã das ovelhas e a cozer a carne. Sorria fingindo. Rir não tinha mais graça e o pôr-do-sol não tinha mais beleza. Hilda entrou num profundo "estar". Antes, havia a esperança de que Isaac fosse aparecer. Agora que ele tinha ido, não tinha mais o que querer ou o que esperar.
Hilda, então, tomou uma decisão drástica. Vestiu uma capa escura, cor de vinho tinto, e se pôs a remar exaustivamente em direção a um castelo - longe, frio e escuro. Normalmente, ela não iria lá (e quem iria?), mas era onde Salotti morava. Sendo ele o mago mais poderoso do reino, haveria de ter uma solução para o vazio de Hilda.
Ela iria lá, portanto, e trocaria suas jóias de herança pela poção mágica - esqueceria Isaac e voltaria a ver beleza nas coisas todas; teria seu vazio preenchido e talvez até esbarrasse com a esperança na rua.
Chegou ao castelo - escuro, feito de pedras grossas e cinzentas e com mármore no piso. Ela atravessou a ponte levadiça e bateu na porta três vezes. Foi recebida por um homem extremamente alto, com a pele branca como leite e olhos azuis marinhos. Hilda presumiu que aquele homem de leves rugas e cabelos prateados pudesse ser um mordomo, mas ele se apresentou como o próprio Salotti. Ele era bonito e bem apessoado; tinha cabelos, unhas e dentes limpos e um terno bem alinhado.
Ele convidou Hilda a se sentar perto da lareira e a falar o que queria. A camponesa tirou uma caixa de madeira com moedas de bronze e jóias que eram seus únicos bens materiais nessa vida, deixados pelo seu pai antes de morrer. Salotti erguei os olhos, parecendo interessado, e ouviu Hilda. Dos lábios dela, saíam as palavras "eu quero esquecer alguém que faz o meu coração doer". "Você está sentindo a pior agonia de todas. Dê-me as jóias; mantenha as moedas de bronze. Vou curar você".
Apenas um comprimido azul claro e tudo aquilo acabaria.
Meio ano depois e Hilda vivia na simplicidade - sorria e era feliz, apenas. Não havia nada que a desconcertasse ou a deixasse aflita, e ela havia desinteressado-se do amor romântico: simplesmente não conhecia ninguém que despertasse sua vontade.
Ela foi pegar água no poço, levou para casa e fez um chá de ervas. Às vezes, cosia vestidos para as mulheres da cidade, longe do vilarejo, e alguns deles lhes rendiam moedas de ouro.
E seus dias assim eram, até que em um deles ela viu um homem perto do poço, montado em um cavalo negro. Ele a viu e lançou um sorriso bonito. Desajeitada, ela ficou com as bochechas vermelhas e ardendo em chamas; abaixou a cabeça de vergonha.
Depois de ter perdido o cavalo de vista e andado alguns metros, Hilda perguntou a uma moradora qualquer do vilarejo se ela sabia quem era aquele homem no cavalo negro. A moradora responde que o nome dele era Isaac e Hilda pegou em si o amor.
Se eu pudesse, me apaixonaria por você um milhão de vezes.
voce apagou o texto e nem deu tempo de ler...
ResponderExcluirque pena =P