quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Algumas Verdades

Tu chegas no paraíso após minhas juras e pronúncias repetidas de amor. Teu corpo queima como o teu cigarro de aura roxa.
A liberdade não vale a pena se estou contigo. Ou sou tua ou não sou. Não fazemos as coisas pela metade. Sentimentos só valem a pena se forem intensos como os monges em chamas da tua imaginação.
Tudo em ti me completa; não acho que seria capaz de admirar fotografias, fragmentos e jeitos entusiasmados assim como admiro essas tuas partes.
{Eu};
sempre tua
{Você};
sempre meu
{O amor, o terreno e os dilúvios}
sempre nossos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cumplicidade

Chego em casa de madrugada e entro no chuveiro para lavar seu cheiro e as lembranças dos passos descompassados que demos juntos da minha pele.
Deito-me na cama, cansada porém eufórica, e lembro da graça que você é por ter nascido com o terceiro signo no ascendente, fazendo tuas mãos inquietas circularem no ar. Tua voz sonolenta, semelhante à tua voz excitada, me provocando eterna e simplesmente. A água do chuveiro que cai enquanto você ouve e todos os gêmeos que fizeram parte de um trio na hora do amor.
Você acha que sou uma grande provocadora e que eu faria um homem crescido chorar num tobogã, mas não é verdade.
A espera do dezembro frio está me matando; anseio o momento em que vou fincar, novamente, minhas presas nos seus ombros.

Um dia é da caçadora, o outro também.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A Ovelha e o Lobo

A ovelha entra na toca do lobo. Não enxerga muito bem, com a escuridão que faz lá dentro. Esbarra em alguma coisa que se quebra - é uma garrafa. Ela não poderia saber que, antes de se despedaçar em mil pedacinhos, o recipiente levava escrito de um lado "amor" e do outro "infelicidades da vida". Da garrafa sai um líquido que tem cheiro de proibido e aspecto de Afrodite, mas a ovelha, lambendo o chão, o toma mesmo assim.
Quando acorda, o lobo está fitando-a incessantemente. A ovelha não entende e nem sabe como, mas sente como se estivesse pronta para sacrificar-se e a doar-se para o lobo - e, conhecendo a natureza de ovelhas e lobos, provavelmente é o que acontecerá.

Passa-se um tempo. O lobo, uma espécie ferina e sem-matilha, convive com a ovelha, dócil como sempre fora. O lobo dá abrigo e deixa que a ovelha saia para comer e volte para a toca.
Não se sabe quanto tempo os bichos ficaram assim, mas, numa noite, o lobo esperou até que a ovelha ficasse cega de sono, afundou o focinho sobre o peito revestido de lã e, num impulso facilmente concebido, arrancou o coração da ovelha fora.
Com o órgão na boca, deu meia volta e deixou um corpo fraco e suplicante na penumbra da toca.

domingo, 5 de setembro de 2010

Seca

Caminhando, chego na árvore sem folhas por causa dos cento e um dias sem chuva. Minha melhor amiga de troncos e galhos retorcidos, que nem a gente aprende nos livros de Geografia que falam sobre o cerrado.
Sento no tronco; "prazer, sei que você não está me reconhecendo. Sou a Srta. Nostálgica, lembra-se de mim? Não? Acho que da última vez me apresentei como srta. Medrosa".
Jogo-me no chão. De pernas cruzadas, amaldiçôo a chuva que não cai e começo a quebrar as folhas secas que estão espalhadas pelo terreno avermelhado. Faço um paralelo entre as folhas e o meu coração.
Com o mesmo estilete que fez meu pulso arder e sangrar na noite anterior enquanto um tango soava no quarto, marquei nossas iniciais no tronco da árvore, lembrando-me sempre que amores de verdade deixam marcas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Orla

            De mãos dadas com ela na praia, ele chorava. Ela, aflita e sem saber o que falar, jogou-se nos braços dele e enxugou-lhe as lágrimas.
            As primeiras palavras foram dele:
            - Você vai encontrar alguém mais legal e menos chato e ciumento do que eu.
            - Não vou, porque essa pessoa não existe.
           - Existe, sim.
            - Mas foi você que eu escolhi. Não quero mais ninguém.
            - Eu não quero que você canse de mim. E você já está cansando.
            - Não estou. “Eu te amo sempre e para sempre”, lembra?
            Ele estava parando de chorar.
            - Ei, amor, eu gosto de você. Só de você, para sempre, se você quiser.
            - Eu vou parar de ser assim.
            - Não, você não vai. É assim o cara pelo qual eu me apaixonei, e você não vai, quer e nem consegue mudar a sua essência. Não fica mais assim; promete?
            - Prometo.
            - Acredita em mim?
            - Acredito.
            Mas ela sabia que não seria assim. Ele teria suas crises de novo, assim como ela. Ela teria de consolá-lo e cuidar dele mais vezes, e dizer-lhe que estava tudo bem. Sorriu ao pensar nisso – sentiu-se súbita e inexplicavelmente feliz ao pensar nas coisas dessa forma. Seria ele, o cara que ela escolheu, com ela – sempre.
            Era assim o amor.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ensaio Sobre o Amor

Como pode um adulto sinceramente acreditar que um jovem adolescente não é capaz de amar?
Digo isso porque nós, a juventude, somos movidos por paixão simples e pura, e temos uma capacidade de amar que é deveras mais sincera que a capacidade adulta em o fazer.
- Diálogo I entre jovem e adulto –
Jovem: Estou amando.
Adulto: Oh, cale a boca, você é novo demais para saber o que é amor. O amor é cheio de dívidas, perdão, concessão e coisas desse tipo. O amor é difícil. Se amor, para você, é algo bom – esqueça, porque isso que você está sentindo não é amor. Amor é outra coisa.
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Sendo que nós simplesmente sentimos um mar de coisas infinitas que acabam (ou não!) logo ali, do jeito mais puro que alguém pode sentir.
Nosso amor é infinito, incondicional, irredutível, inigualável, irreverente e, de longe, é a coisa mais importante para nós. Amar e se entregar, como amar e ser amado, fazem parte dos nossos anseios e desejos mais profundos.
E, se você tem mais de dezoito anos, pode até desdenhar de nós e achar que não sabemos de nada. Mas agüente a nossa revanche – vamos rotular os adultos de sem-coração, sem-sal e vamos sair gritando que vocês não nos levam a sério.
Agüentem a nossa revanche sem sair por aí dizendo que adolescente é um bicho chato e mal-humorado, porque se somos assim, a culpa é de vocês.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Incondicional

Incondicional

que transcede quaisquer noções da sociedade que dizem respeito à cor, raça, idades, localização e sexo. Tridimensional, disposto a se propagar em todas as direções. Intenso. Preciso como a vida e como a água. Vibratório como um tambor que ressoa a 120 decibéis.

É assim o meu amor, e ele é teu.