Minha mulher sempre acordava tarde. Nunca gostou de acordar cedo e portanto nunca o fazia. Se um dia o fizesse, eu chegaria à conclusão de que ela estava doente.
Mas naquele dia - ah, aquele dia foi diferente. Não só se levantou cedo, como também começou a fazer o meu café da manhã. Perguntei a ela se ela estava se sentindo bem, ela respondeu um sim naquele sorriso maravilhoso que possuía e esqueci o assunto.
Tomamos um café da manhã maravilhoso e logo tive de sair de casa.
- Tchau, meu bem.
- Tchau, meu amor!
Cheguei à escola onde dava aula e comecei a escrever o cabeçalho no quadro negro. O giz branco riscava o quadro, eu olhava maravilhado as minhas letras redondas se formando. Eu percebia o quanto eu gostava de dar aula - gostava, não. Isso se chama amor. Eu percebia o quanto amava dar aula enquanto escrevia no quadro.
"Brasília, 2 de junho de 20...". Caiu a ficha. Levei um susto, fiquei pálido, estava passando mal, achava que ia desmaiar. Meus alunos me consolavam, me perguntavam se queria que eles trouxessem remédios, copos d'água ou, em última instância, um canivete para que eu cortasse os pulsos.
Continuei a dar aula me sentindo um estúpido. Me sentia o pior marido do mundo, apesar de ter ciência de que não era o primeiro a esquecer o aniversário da própria esposa.
O dia de segundo de junho se arrastou. Já havia feito um plano - sim, eu colocaria em prática a primeira coisa que todos devem saber: se você esqueceu de uma data especial, finja que vá fazer uma surpresa.
Saí da escola, fui à floricultura. Comprei um buquê de doze rosas argentinas vermelhas - no centro, uma branca. O buquê foi acompanhado de um cartão: "Minha querida, entre todas as outras, você é única - assim como esta rosa branca".
Dei o fora da floricultura e pus em prática a segunda coisa que todos devem fazer - uma gafe não se conserta com um buquê de rosas: há também de se fazer uma surpresa, logicamente!
Cheguei ao meu apartamento de mãos suadas, coloquei o buquê em cima do tapete e toquei a campainha.
Depois disso, claro que saí correndo feito um louco pelas escadas abaixo. Dez minutos depois, fui para casa.
Minha esposa, linda, linda linda, atendeu a porta. Recebeu-me maravilhosamente, nos perdemos entre beijos e abraços.
Dias depois, confessei a ela que na verdade não era surpresa nenhuma. Disse a ela, olhando-a nos olhos, que havia esquecido do aniversário dela.
Ela nem ligou para isso.
"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." Coríntios 13:4-7.
Espero que tenham gostado do novo layout!
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