05/05/11: O Brasil aprova a União Estável homoafetiva.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Nonsense

A marca dos meus cílios criou uma estampa, fincada no centro do seu peito. Só posso me aquecer se eu for ao sol. Me metamorfoseio em um lagarto, grande e gordo, me estico, absorvo gota por gota do calor e estamos prontos para mais uma rodada. Amor, pede uma porção de batata frita?, discutimos a relação em um restaurante. Minha garganta inflama. Você pensa absurdos. Os meses passam, continuo ansiando pelas suas mãos inquietas de ascendente em gêmeos. Nada se cria, tudo se transforma. Você grita que estou mentindo. Eu choro. Fazemos as pazes. Durmo aninhada no seu peito. Você continua vidrado nos meus olhos, puxa, que coisa. Nada muda. Mas aquele sábado deu errado (e daí?, forço-me a pensar). Penso em fazer aulas de francês - não, ela falava melhor do que eu. Penso em fazer dança do ventre - não, ela dançava melhor do que eu. Penso em destruir esses ciúmes e essa inveja doentia e sem-sentido do passado e vejo que preciso de ajuda. Vejo que tenho vergonha de pedir ajuda a única pessoa que pode de fato fazer isso passar. Vejo que essa vergonha não tem base alguma, já que decidi há um ano, um mês e vinte e oito dias que essa pessoa seria sempre e para sempre meu melhor amigo e cúmplice. Te peço ajuda. Sôo agressiva. Porra, como sou estúpida. Faz passar, vai, cava um pouquinho até destruir a barreira louca que estou impondo. Isso não faz sentido. Não é para fazer sentido, eu não faço sentido, você não faz sentido, somos pessoas, Freud já dizia que não fazíamos sentidos e Jung provou que é tudo muito louco, você mais do que ninguém devia saber disso.
Que merda, digito esse texto em cinco minutos e já me sinto tão melhor.
Estou perdida, me acha?
terça-feira, 26 de abril de 2011
Diálogo I

- Me põe no colo?
- Por que eu faria isso?
- Eu estou te pedindo.
- Mas você já está grande o suficiente para...
- Isso não tem nada a ver com tamanho ou idade. Só quero deitar um pouco no seu colo. Deixa?
- (...)
- Ok, esquece.
- Você é um doce. Dá vontade de abraçar.
- (...) Acho que vou indo.
- Claro. Até mais.
- (...)
- (...) Posso só perguntar uma coisa?
- Pode.
- Por que você queria deitar no meu colo?
- Ah, sei lá. Vontade de fechar os olhos por algum tempo.
- Então por que você não vai para casa e dorme na sua cama?
- Porque o calor das suas coxas sempre me aconchegou muito mais. De qualquer forma, já estou indo.
- Ok. (...) Ei! Espera. Deita aqui, eu te aconchego. Cadê você? Volta?
Escuro.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Love Kills
Amores de verdade deixam marcas, de emoção, de incenso, de canivetes, no tronco de uma árvore ou na ponta do meu dedo, quando eu me distraio fazendo um misto quente para você. Amores de verdade são como o nosso, arranhando as paredes do meu coração enquanto você dorme no meu colo durante a exibição d(e um d)o(s) melhor(es) filme(s) do mundo. Amores de verdade acontecem quando você não se importa de ouvir mil vezes que você é bobo. Amores de verdade são percebidos quando conseguimos rir de todos os filmes que vemos juntos (até os de terror). Amores de verdade significam travessuras e risadas em cima de um dever de casa, de um colega de trabalho ou da burocracia. Amores de verdade acontecem quando você confunde minha mão com a sua e tem a impressão de estar usando dois anéis diferentes, quando durmo no seu ombro a caminho do aeroporto ou quando me encosto numa árvore e choramos, juntos, as dores dos planos fracassados. E nos recuperamos, caímos e tentamos tudo de novo, criamos novas expectativas, fazemos novos planos. Vamos nos perder, vamos perder juntos. E confio na sua beleza e serenidade quando você me afirma isso.E enquanto eu puder me travestir com as suas dores, inseguranças, ciúmes e roupas, continuarei amando.
É assim o amor.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Don't Panic
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Viagem pelo Corpo
Eu quero a força de um ariano, a calma de um taurino e a poesia de um geminiano. Quero o carinho de um canceriano, a bondade de um leonino e a organização de um virginiano. Quero a justiça de um libriano, o mistério de um escorpiano e a beleza filosófica de um sagitariano. Também não me poderiam faltar o senso de humor capricorniano e a revolução de um aquariano.Por ser um peixe, adaptável em quaisquer águas, talvez por ser o último dos doze, capaz que eu tenha um pouco disso tudo guardado em mim.
Já a doçura, a criatividade e a carência de um pisciano; ah! Não poderia descrever minha essência de forma mais sincera.
quarta-feira, 30 de março de 2011
While My Guitar Gently Weeps
"Music's the only thing that makes sense anymore, man. Play it loud enough, it keeps the demons at bay." (Across the Universe) Se um filme que ela gostava muito dizia que música afastava os demônios, por que não obedecer? Demônios estavam sempre presente na vida dela. Atormentavam-na quando a remetiam ao passado, quando a remetiam à banalidade de sua beleza, idéias e conteúdo. Atormentavam-na quando lembravam a ela que ela nunca seria uma artista boa o suficiente.
Deixava os solos, riffs, sons e vozes aveludadas entrarem nos seus ouvidos e logo no seu corpo inteiro, preenchendo sua alma de forma tão avassaladora e iluminada que ela achava que, a qualquer segundo, chegaria a lua por meio da sua nave de energia.
Depois de alguns anos se aliviando e fugindo da realidade através das canções, nada mais atingia seu tímpano, a não ser que fosse belo como música. E quando ela se acostumou ao som das melodias, e já não era mais um som tão terapêutico, seus ouvidos estavam fechados para qualquer agrado ou elogio que viesse de um ou outro nas raras vezes que um ou outro estavam presentes.
Ciclo vicioso: era frustrada consigo mesma, tapou os ouvidos para aquele que queria curá-la e percebia a grande besteira que cometia ao bloquear sua cura; com isso, frustrava-se mais ainda.
Bem, e só quem perdia com isso era ela mesma, não?
(Ao fim desta pequena fábula, a menina resolve superar-se).
Deixava os solos, riffs, sons e vozes aveludadas entrarem nos seus ouvidos e logo no seu corpo inteiro, preenchendo sua alma de forma tão avassaladora e iluminada que ela achava que, a qualquer segundo, chegaria a lua por meio da sua nave de energia.
Depois de alguns anos se aliviando e fugindo da realidade através das canções, nada mais atingia seu tímpano, a não ser que fosse belo como música. E quando ela se acostumou ao som das melodias, e já não era mais um som tão terapêutico, seus ouvidos estavam fechados para qualquer agrado ou elogio que viesse de um ou outro nas raras vezes que um ou outro estavam presentes.
Ciclo vicioso: era frustrada consigo mesma, tapou os ouvidos para aquele que queria curá-la e percebia a grande besteira que cometia ao bloquear sua cura; com isso, frustrava-se mais ainda.
Bem, e só quem perdia com isso era ela mesma, não?
(Ao fim desta pequena fábula, a menina resolve superar-se).
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